A reeleição de Lula (PT) mobilizou a esquerda mundial, que enxergou na vitória do petista uma possível virada ideológica diante do avanço global da ultradireita. Segundo apuração do analista de Política da CNN Pedro Venceslau, no CNN 360°, líderes e partidos de diferentes países incorporaram símbolos, discursos e estratégias da campanha brasileira.
De acordo com Venceslau, a ultradireita internacional está muito articulada e vem disputando espaço com a esquerda em diversos países. “A vitória do presidente Lula acabou sendo compreendida como uma espécie de sentimento de que pode haver uma mudança de ares”, afirmou o analista.
Símbolos e estratégias exportados
Entre os casos levantados por Venceslau, destaca-se Ada Colau, ex-prefeita de Barcelona, que fez o “L” de Lula em um comício da Frente Ampla, na Espanha, e declarou que a vitória brasileira pode ser o início de uma virada ideológica em todo o mundo.
Pedro Sánchez, do Partido Socialista espanhol, também se manifestou, afirmando que “se o Brasil conseguiu, a Espanha também consegue”. Já Claudia Sheinbaum, do México, fez o gesto do “L” durante uma entrevista coletiva após a eleição e sinalizou a intenção de convidar André Janones (Rede-MG) para montar uma estrutura similar no país.
A “Tropa de Janones” ganha o mundo
A famosa estratégia digital de André Janones também atravessou fronteiras. Jean-Luc Mélenchon, da França, se inspirou na iniciativa e abriu um grupo de WhatsApp nos moldes do “exército” criado pelo deputado mineiro.
Na Argentina, o peronismo seguiu o mesmo caminho, criando um canal de WhatsApp com estratégia idêntica, claramente inspirada na tática de Janones. Segundo Venceslau, Janones está muito requisitado para colaborar com campanhas ao redor do mundo.
O analista também apurou que Janones é cotado para assumir algum espaço na estrutura do governo, como uma secretaria digital — não a Secom propriamente dita. “Seria uma estrutura que o presidente Lula já deixou claro que ele quer ter no governo, que é para facilitar, fluir melhor a comunicação digital do governo“, explicou Venceslau.
O analista ressaltou, no entanto, que há diferenças importantes entre atuar em uma campanha e em um governo federal, onde existem limites institucionais a serem observados.

