Diante de uma queda brusca de temperatura, de uma situação de medo ou da audição de uma música marcante, o organismo pode reagir de forma automática: os pelos se erguem e pequenas saliências surgem na pele. Denominado cientificamente como piloereção, esse fenômeno involuntário é intermediado pelo sistema nervoso e possui origens evolutivas associadas à sobrevivência.
A reação ocorre quando pequenos músculos situados junto aos folículos pilosos se contraem. Essa ação é coordenada pela atividade dos nervos simpáticos, responsáveis por reger diversas respostas automáticas do corpo.
Em animais com pelagem espessa e em nossos ancestrais, erguer os pelos permitia criar uma camada de ar isolante junto ao corpo, reduzindo a perda de calor. Nos seres humanos, que possuem uma quantidade menor de pelos, a eficácia desse isolamento térmico é limitada, contudo o reflexo permanece ativo no organismo.
Pesquisadores do National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos, investigaram a relação entre os nervos simpáticos, a musculatura dos folículos e a regulação de células-tronco em estudos com camundongos.
A observação ajuda a compreender a biologia folicular, embora o ato de arrepiar a pele não funcione como estímulo comprovado para o crescimento de cabelo em humanos.
Gatilhos emocionais e variação individual
O frio não representa o único fator desencadeador da piloereção. Estímulos emocionais — como vivenciar momentos de surpresa, medo ou ouvir uma composição musical emocionante — ativam mecanismos cerebrais e autonômicos.
De acordo com a publicação científica BrainFacts, associada à Society for Neuroscience, a forma como um estímulo emocional é percebido varia entre os indivíduos. Essa particularidade explica por que uma mesma música pode provocar arrepios em uma pessoa e não gerar nenhuma reação em outra.
Quando o arrepio exige atenção médica
Na maioria dos cenários, os arrepios passageiros são respostas fisiológicas comuns e inofensivas. A piloereção isolada não serve como indicador de doenças nem determina o estado emocional de um indivíduo.
Entretanto, se os arrepios surgirem de maneira frequente e sem causa aparente, acompanhados de calafrios persistentes, febre ou mal-estar, a orientação é buscar uma avaliação com profissionais de saúde.
*Publicado por Beto Souza da CNN Brasil

