O Partido dos Trabalhadores articula a migração de três nomes de destaque da esquerda brasileira para suas fileiras: André Janones (Rede-MG), Guilherme Boulos e Erika Hilton (ambos do PSOL-SP).
A estratégia foi desenhada ainda antes do segundo turno das eleições. “Quando ninguém no PT achava, de fato, que o presidente Lula venceria a eleição”, afirmou o analista de Política Pedro Venceslau durante o CNN 360º desta terça-feira (27).
Segundo Venceslau, o PT estava olhando 2027 como um momento de “sentar no divã” e rediscutir o futuro da esquerda.
A ideia inicial era promover uma grande federação entre PT, PCdoB, PV e PSOL caso o resultado das urnas fosse desfavorável ao campo progressista no segundo turno.
Cláusula de barreira
O PSOL e a Rede Sustentabilidade, mesmo coligados em federação, não superaram a cláusula de barreira. Com isso, as duas siglas perderam o direito ao fundo eleitoral, ao fundo partidário e ao tempo de TV e rádio no horário eleitoral.
“Para o PSOL e para a Rede, a oportunidade que eles têm para continuarem sendo partidos representativos no Congresso Nacional é fazer uma federação ou uma fusão com outras legendas”, afirmou Venceslau.
O analista destacou que a possibilidade de migração de Boulos e Erika Hilton para o PT já era discutida antes mesmo do primeiro turno. Os dois fazem parte de uma corrente interna do PSOL que defendia o apoio integral a Lula e a formação de uma federação com o PT.
“Eles acabaram perdendo esse debate na correlação de forças internas e o PSOL decidiu permanecer federado com a Rede, justamente para que os partidos não se tornassem ‘satélites’ do PT”, explicou Venceslau.
Ninguém no partido, no entanto, esperava que a sigla ficasse abaixo da cláusula de desempenho, especialmente com nomes de grande apelo eleitoral como Erika Hilton, Samia Bofim (PSOL-SP) e Rick Azevedo (PSOL-RJ).
Infidelidade partidária
Para que a transferência ocorra sem riscos jurídicos, é necessário que as próprias siglas autorizem a saída dos parlamentares. Caso contrário, os mandatos de Janones, Boulos e Erika Hilton poderiam ser cassados por infidelidade partidária, conforme prevê a Justiça Eleitoral.
“Ou o partido autoriza ou eles teriam que esperar até a janela de transferência partidária próxima da eleição de 2028 ou de 2030”, esclareceu o analista.
Os três nomes são vistos pelo PT como apostas para disputar eleições municipais.
Boulos já concorreu à prefeitura de São Paulo em 2024, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Ricardo Nunes. Após a derrota, ele tornou-se ministro de Lula, continuou com bastante projeção e é apontado como aposta para um novo pleito na capital paulista.
Já André Janones é visto como possível candidato à prefeitura de Belo Horizonte.

