A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos nesta terça-feira (27), após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), repercutiu em veículos da imprensa internacional, que questionaram o paradeiro do senador, as investigações que o envolvem e os possíveis efeitos do episódio sobre o futuro da direita brasileira.
O jornal britânico Financial Times descreveu a possível saída como uma “reviravolta dramática” na trajetória do senador, que, segundo o jornal, demonstrava confiança de que seria o próximo presidente do Brasil até pouco antes da apuração eleitoral.
“A saída de Bolsonaro, se confirmada, adicionará um elemento explosivo a um ambiente político já conturbado em Brasília após a eleição de domingo, vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após uma notável virada no segundo turno“, diz o jornal.
O Financial Times ressaltou ainda que Flávio havia prometido liderar a oposição, mas que sua saída poderia custar à família Bolsonaro parte de sua autoridade sobre os partidos de direita no Congresso.

Já o britânico The Guardian afirmou que a possível fuga do senador “torna o futuro da extrema-direita após a eleição presidencial ainda mais incerto“. O jornal relembrou que Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar e que Eduardo Bolsonaro tem um mandado de prisão em aberto no país.
O Guardian recuperou a trajetória política de Flávio, destacando que ele aprovou “pouquíssimas” leis durante seus 24 anos de carreira como deputado estadual e senador.

O jornal norte-americano The New York Times destacou, no título, que Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos “após a derrota eleitoral“. O diário americano relembrou que Flávio é investigado por suas ligações com o advogado Willer Tomaz em um esquema de lavagem de US$ 1 bilhão.
“O Sr. Bolsonaro está sendo investigado por suas ligações com um advogado brasileiro acusado de lavar mais de US$ 1 bilhão por meio de um vasto esquema de fraude“, afirma.

O The Washington Post destacou no título do texto que brasileiros tentavam descobrir o paradeiro do senador. “Onde ele está?“, questionou o jornal.
“Ninguém sabe, ou está disposto a dizer, para onde foi o candidato presidencial de direita“, disse.
O Post observou que o silêncio de Flávio alimentava especulações e que as preocupações tinham “raízes na história recente” do país, relembrando que o ex-presidente Jair Bolsonaro viajou para os Estados Unidos pouco depois de perder a eleição para Lula, em 2022, quando ainda ocupava a Presidência.

O The Wall Street Journal também recuperou a viagem de Bolsonaro à Flórida, no fim de dezembro de 2022, dois dias antes de deixar o cargo, após se recusar a reconhecer a derrota eleitoral.
O jornal lembrou que o ex-presidente voltou ao Brasil três meses depois e passou a ser alvo de uma investigação sobre uma suposta tentativa de anular o resultado eleitoral. Também mencionou sua condenação a 27 anos de prisão e o cumprimento da pena em prisão domiciliar.
“Enquanto isso, o irmão mais novo de Flávio Bolsonaro, Eduardo, mudou-se para os EUA no início de 2025. Ele agora enfrenta uma pena de quatro anos de prisão se retornar ao Brasil, mas obteve um green card americano, que lhe permite permanecer no país permanentemente“, publicou o Wall Street Journal.

Na França, o Le Monde destacou logo no título que “Flávio Bolsonaro, isolado, abandonou os esforços para pedir a anulação da eleição após a vitória de Lula“.
O diário francês também descreveu o senador como cada vez mais fragilizado, com pouco apoio às suas acusações de fraude e aliados se distanciando. O jornal se referiu a Jair Bolsonaro como um ex-presidente “envolvido em diversos casos de corrupção“.

O Le Figaro adotou um tom mais contundente já no título: “Encurralado por escândalos, Flávio Bolsonaro foge para os Estados Unidos após derrota para Lula“.
O texto começa com a pergunta “Onde está Flávio Bolsonaro?“. O diário francês afirmou que ele era alvo de diversas investigações por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro e descreveu o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como “uma pedra no sapato” dos apoiadores da família Bolsonaro.

O espanhol El País enfatizou a contradição entre a possível saída do país e as declarações anteriores do senador, que havia afirmado que, em hipótese alguma, fugiria do Brasil e que pretendia liderar a oposição a Lula.
O veículo reproduziu a declaração em que o senador prometeu entregar seus passaportes e se defender do que chamou de “farsa” e tentativa de intimidação.

Na Argentina, o La Nación apresentou os Estados Unidos como um “refúgio do clã” Bolsonaro e mencionou alegações de que o governo de Donald Trump teria participado da saída do senador e poderia conceder-lhe asilo.
O jornal começou o texto relembrando que a última viagem de Flávio aos Estados Unidos havia ocorrido no fim de maio e que seu retorno agora é como um possível foragido.
“Mas o senador do Partido Liberal (PL), surpreendentemente derrotado no segundo turno das eleições de domingo, certamente jamais imaginou que seu retorno a este país aconteceria após fugir do Brasil em flagrante desrespeito a uma ordem judicial de proibição de viagem e com um possível pedido de asilo político ao governo republicano“, publicou o La Nación.


