Eleitores de Israel vão às urnas nesta terça-feira (27) em uma eleição considerada um plebiscito sobre a figura de Benjamin Netanyahu, atual primeiro-ministro.
Para diferentes especialistas, esta é a eleição mais importante da história recente de Israel, e é assim que a própria população também encara a votação – a primeira desde os ataques do Hamas em outubro de 2023 e também depois da guerra em Gaza.
“A expressão usada aqui é a de ‘eleições de destino’. Elas vão traçar o rumo do país. Não é só uma questão da permanência de Netanyahu no poder ou não”, afirma João Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel-Aviv e assessor do Instituto Brasil-Israel.
De acordo com Miragaya, a eleição traz um debate profundo sobre os rumos do governo e da democracia de Israel. Isso porque, segundo o historiador, Netanyahu representa um projeto de Estado que envolve profundas transformações.
“Temos claramente dois projetos de Estado. Um quer manter Israel como democracia liberal e reúne parte da direita, esquerda, centro e partidos árabes. O outro, mais homogêneo, é formado pela direita, pela extrema direita e pelos ultraortodoxos e quer transformar profundamente as instituições. A meu ver, isso enterraria a democracia liberal israelense. Se o governo Netanyahu vencer, o país será outra coisa”, analisa.
Segundo Miragaya, nos últimos anos Netanyahu se aproximou e incluiu no governo grupos políticos que a “maioria da população e a Justiça consideravam ilegítimos, depois levou partidos ultra extremistas para o campo da direita e, por fim, adotou as pautas deles”.
A questão palestina após a guerra contra o Hamas
O debate sobre a solução de dois Estados para a crise com os palestinos não é pauta nestas eleições de Israel, nem mesmo para os partidos árabes.
“O que existe é uma ampla maioria que acha desnecessário falar disso agora, porque não está próximo de acontecer. Mesmo quem deseja o Estado palestino não acredita que isso ocorra nos próximos anos: não há maioria no Parlamento para isso. Só seria possível se fosse imposto a Israel por potências internacionais ou pela guerra, e nenhuma das duas hipóteses parece estar no ar”, explica Miragaya.
“A guerra aparece sobretudo pela ótica da segurança: quem falhou e quem tem o melhor projeto para impedir um novo 7 de outubro”, complementa o historiador.
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