A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras gerou repercussão imediata entre autoridades políticas dos Estados Unidos. Enquanto figuras da esquerda americana comemoraram o resultado, a ausência de manifestação de Donald Trump foi amplamente notada.
A correspondente da CNN em Nova York, Priscila Yazbek, destacou que o presidente Donald Trump, ainda não se pronunciou a respeito da vitória de Lula.
“Ele normalmente fica até altas horas nas redes sociais, faz diversos tweets, mas dessa vez, depois da vitória do presidente Lula, ainda não se manifestou”, relatou a correspondente durante o Live CNN desta segunda-feira (26).
Do lado oposto, Bernie Sanders, senador independente por Vermont e um dos principais nomes da esquerda norte-americana, comemorou o resultado e classificou a eleição de Lula como uma “extraordinária vitória”.
“Ele também disse que Lula tem defendido os trabalhadores brasileiros e a democracia, e que vai continuar fazendo isso nos próximos quatro anos”, destacou Yazbek.
Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, também parabenizou Lula pela vitória. Ele publicou um tweet em que afirmava que “o povo unido jamais será vencido”.
Tanto Sanders quanto Mamdani se encontraram com Lula em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro.
Outro nome a se manifestar foi o deputado democrata Ro Khanna, representante da Califórnia e integrante da ala mais progressista do Partido Democrata.
“Ele disse que ‘pessoas em todo o mundo estão reagindo ao extremismo’ e que, com Lula no Brasil, ‘elas acabaram de vencer'”, afirmou a correspondente.
Khanna também fez um apelo direto a Trump, pedindo que ele respeite os resultados e não tente enfraquecer as eleições brasileiras.
Reações do campo conservador
No campo conservador americano, Donald Trump Jr., filho do presidente americano, repostou um comentário crítico à decisão do ministro Cristiano Zanin de adiar o horário de encerramento da votação.
O comentário original havia sido compartilhado por um advogado ligado à empresa de Trump e questionava a extensão do horário de votação solicitada pela campanha de Lula.
Além disso, Jason Miller, estrategista próximo ao governo Trump, republicou o comunicado divulgado pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL) questionando os resultados da eleição.
Contexto regional
Yazbek destacou ainda que a reeleição de Lula interrompe uma sequência de sete vitórias de líderes de direita na América Latina desde 2025, quando Trump assumiu seu segundo mandato: Equador, Bolívia, Honduras, Chile, Costa Rica, Peru e Colômbia.
“Isso tem gerado uma aproximação muito forte entre o presidente dos Estados Unidos e essas lideranças, até mesmo no âmbito do Escudo das Américas, no combate ao crime organizado na região”, afirmou Yazbek.
Segundo ela, a vitória de Lula pode manter o Brasil em essa posição de maior independência em relação à política internacional.

