A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas reacendeu o debate sobre o futuro do bolsonarismo e a liderança da direita brasileira. Dentro do campo conservador, cresce a discussão sobre a necessidade de renovação e a viabilidade de manter o patrimônio eleitoral associado ao nome Bolsonaro.
“O primeiro movimento do PL foi dizer Flávio Bolsonaro desponta como candidato natural em 2030, que ele recebeu mais de 50 milhões de votos e seria a principal liderança da direita”, apontou o analista de Política Pedro Venceslau durante o CNN 360º desta segunda-feira (26).
No entanto, segundo Venceslau, essa tese é contestada por outros setores do campo conservador, sendo sustentada, aparentemente, apenas pelo próprio PL.
A aposta do Centrão
Partidos do centrão e alas mais moderadas da própria direita, inclusive no PL, têm defendido que chegou a hora de se descolar do bolsonarismo e ventilar novos quadros. Nesse cenário, o nome do governador Tarcísio de Freitas desponta com força.
Segundo Venceslau, o Republicanos, partido ao qual Tarcísio é filiado, já o aponta como candidato natural à presidência em 2030.
O analista destacou ainda que parte do centrão lamentou o fato de o candidato em 2026 ter sido Flávio Bolsonaro e não Tarcísio.
“Foi por isso que o Centrão demorou para embarcar na candidatura, desconfiava da viabilidade política dele e achava que Tarcísio poderia ter vencido a eleição no primeiro turno. A rejeição que vem junto com o sobrenome Bolsonaro comprometeu a possibilidade de vencer e tirar o PT do poder”, afirmou Venceslau.
As alternativas do PL
Outros nomes também emergem como possíveis lideranças da direita. A ex-primeira-dama e senadora eleita, Michelle Bolsonaro (PL-DF) é vista como alguém que carrega o sobrenome Bolsonaro, mas com uma autonomia política que a diferencia dos demais integrantes do clã.
“A relação dela com os filhos do Jair Bolsonaro sempre foi meio tumultuada, tiveram algumas crises. A expectativa é que, no Senado, ela tenha luz própria”, destacou Venceslau.
O PL, de acordo com o analista, já traça planos para que ela lidere o bloco da oposição ou mesmo a bancada do partido.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também é citado como liderança emergente da direita, embora seu projeto imediato seja disputar o governo de Minas Gerais em 2030, quando já terá idade para concorrer ao cargo.
Enquanto isso, a avaliação predominante entre os partidos de direita é de que Flávio Bolsonaro sai enfraquecido dessa eleição. “Ele perde capital político depois dessa eleição por conta dos erros que ele teria cometido ao longo do processo”, concluiu Venceslau.

