O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse que quer discutir a possibilidade de retomar as regras de livre circulação de trabalhadores da UE (União Europeia), uma questão central no referendo de 2016 sobre o Brexit, que levou o Reino Unido a deixar o bloco.
Em entrevista ao Sunday Times, Burnham retomou declarações anteriores sobre a necessidade de repensar as relações com Bruxelas e afirmou que a entrada de trabalhadores da UE no Reino Unido antes do Brexit havia provocado desafios bastante significativos. “Mas, ao mesmo tempo, era um tipo de imigração que talvez não fosse tão difícil [quanto a atual]”, disse.
“A migração de mão de obra em que as pessoas vinham e depois voltavam é diferente. O equilíbrio da imigração mudou desde então, não mudou? Acho que precisamos ter uma discussão honesta sobre essas questões.”
Dados oficiais mostraram que a migração líquida de longo prazo em 2025 caiu para um nível próximo ao registrado antes da introdução de um novo sistema de imigração pós-Brexit, no início de 2021.
Em setembro, dois meses depois de substituir Keir Starmer na liderança do Partido Trabalhista e no cargo de primeiro-ministro, Burnham afirmou que o Reino Unido deveria considerar diferentes opções para seu relacionamento com a UE, incluindo a possibilidade de voltar a integrar o bloco algum dia.
Anteriormente, ele havia apoiado os compromissos do governo de Starmer, que incluíam não retomar a livre circulação de pessoas, uma condição estabelecida por Bruxelas para fazer parte do mercado único do bloco.
Na entrevista ao Sunday Times, realizada em 19 de outubro, Burnham disse que a questão da livre circulação poderia ser considerada como parte de uma reformulação mais ampla das relações do Reino Unido com a UE, incluindo o compartilhamento de dados e a migração.
“É preciso analisar tudo em conjunto, em vez de olhar apenas para a livre circulação”, afirmou.
Burnham, que tenta encontrar maneiras de acelerar o crescimento da economia britânica, tem uma reunião marcada com altos representantes da UE para uma cúpula em 20 de novembro.
Ele disse que não conseguiria se imaginar recomendando que o Reino Unido adotasse o euro ou aderisse às regras europeias de livre circulação de pessoas nas fronteiras.
Segundo o Sunday Times, Burnham afirmou que seria necessário um novo referendo para que o Reino Unido voltasse a integrar a UE, mas não necessariamente para aderir ao mercado único ou a uma união aduaneira.
O ex-ministro das Finanças do Partido Conservador Jeremy Hunt, que fez campanha pela permanência do Reino Unido na UE em 2016, disse que seria um erro reabrir um dos debates fundamentais do referendo. Ele também afirmou que flexibilizar as regras de imigração prejudicaria os britânicos.
“Acho que isso seria um golpe devastador para o esforço de tirar as pessoas dos benefícios sociais e levá-las ao mercado de trabalho”, disse Hunt à Sky News.

