Mesmo com plataformas de streaming e outras rotinas de entretenimento feitas em casa, a ida ao cinema é um programa clássico de lazer que tem um espaço no imaginário de descanso do brasileiro. Apesar disso, a pesquisa “Cinema nacional: o caminho de volta às salas”, da Casa Mundo Latam, apontou que fazer esse tipo de programa caber no orçamento é uma das principais dificuldades para frequentar os cinemas.
De acordo com o levantamento, o preço dos ingressos é citado por 42,1% como motivo para menor assiduidade às salas. Os gastos na bomboniere vêm logo em seguida, lembrados por 30% do público. Por fim, outros fatores práticos também pesam na decisão, como a falta de tempo (25,4%), os horários das sessões (22,5%) e a distância ou dificuldade de deslocamento até o cinema (19,6%). Na pergunta, os participantes podiam selecionar até 3 alternativas, permitindo identificar fatores coexistentes.
Adriana Hack, fundadora e diretora executiva da Casa Mundo Latam, lembra que, em um dia de descontração, o brasileiro leva em consideração uma série de fatores para escolher ir ao cinema.
“Quando uma pessoa decide ir ao cinema, ela considera quanto vai gastar, como vai chegar e se consegue encaixar a sessão no dia. Para quem vai com a família, essa organização pode envolver várias pessoas e um gasto maior. O interesse pelo filme pode existir, mas é preciso olhar para as condições que permitem transformar essa vontade em uma ida à sala”, avalia.
A escolha do cinema ao streaming
A pesquisa ainda mostra que a experiência proporcionada pelo cinema é um dos principais motivos para optar ir às salas grandes do que assistir ao mesmo filme em casa. 42,1% apontaram “sair de casa ou fazer um programa” como o maior objetivo, e 35,8% falaram que a maior imersão da tela e do som é o que sobressai na hora de decidir. Por último, com 34,2%, os entrevistados disseram que ver antes de chegar nas plataformas é sua intenção.
Para compensar o autocusto apontado de ir ao cinema, cresce a busca por experiências premium no cinema. Tecnologias especiais (como salas IMAX, 3D, 4DX e sistemas de som imersivo) são atrativos para 30% dos entrevistados, enquanto o conforto das instalações — incluindo poltronas reclináveis, espaço ampliado e climatização — é citado por 27,1%.
O conceito reflete a “premiumização”, em que o público busca “fazer valer os gastos do cotidiano”, exigindo experiências que tenham mais conforto, conveniência ou algo diferenciado.

