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Justiça de SP aceita pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Justiça de SP aceita pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy

A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo deferiu nesta sexta-feira (23) o processamento da recuperação extrajudicial da Ri Happy e outras cinco empresas, em consolidação processual.

A famosa varejista de brinquedos apresentou no último domingo (18) um pedido de homologação de plano de recuperação extrajudicial para negociar uma dívida de R$ 827,4 milhões.

A rede é controlada pela BluSun Capital Partners e possui mais de 300 lojas entre franquias e operações próprias.

A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira considerou atendidos os requisitos legais para o início do procedimento. O grupo pretende renegociar o montante em dívidas e o plano de recuperação extrajudicial apresentado contempla créditos e obrigações de natureza quirografária.

Além da marca principal, o pedido foi realizado junto a outras empresas do grupo, como a também varejista PBKids Brinquedos, Partout Administração de Franquias e Bens, News Toys Comércio Fistribuição e Importação, Brincar Marcas e Participações e DRH Casa de Festa.

A juíza ainda concedeu ao grupo o prazo de 90 dias para obter o apoio da maioria dos credores e suspendeu, por 180 dias, as ações e execuções relativas às dívidas incluídas no plano.

“A blindagem patrimonial visa assegurar ambiente negocial protegido, obstando atos expropriatórios individuais desordenados que esvaziem a empresa ou inviabilizem o plano antes de sua apreciação coletiva, resguardando o princípio da preservação da atividade e a paridade concursal”, afirmou.

A magistrada autorizou a consolidação processual, permitindo que os pedidos das seis empresas tramitem em conjunto, mas negou a consolidação substancial. Assim, cada uma deverá comprovar a adesão da maioria de seus próprios credores.

A decisão também nomeou uma administradora judicial para fiscalizar o procedimento e verificar as adesões ao plano, diante do elevado valor envolvido e da complexidade do caso.

Após a comprovação do apoio da maioria dos credores, será publicado edital para que eventuais discordantes possam apresentar contestações no prazo de 30 dias. Encerrada essa etapa, a Justiça decidirá sobre a homologação do plano de recuperação extrajudicial.

Entenda o caso

A Hi Happy surgiu em 1998, em São Paulo. Quase 30 anos depois, a empresa possui 204 lojas próprias e 88 lojas sob o regime da franquia, que juntas empregam diretamente mais de 2,6 mil pessoas. A receita líquida média do grupo é de R$ 1,2 bilhão por ano.

Atualmente, a operação da marca é dividida entre Ri Happy e PBKids, responsáveis pelo varejo físico e digital; Partout, responsável pela gestão do modelo de franquias; New Toys, que atua na importação e distribuição de produtos; Brincar, titular das principais marcas utilizadas pelo Grupo; e Divertudo, responsável pelos serviços de recreação infantil e casas de festas interligados às lojas.

Em 2018, alguns anos depois de ser adquirida pelo fundo de investimento de private equity, a empresa iniciou o processo de abertura de capital via CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A oferta, no entanto, foi suspensa pela volatilidade do mercado e incertezas em relação às varejistas durante a época.

No pedido à Justiça, a loja de brinquedos afirmou que o grupo

passa pela necessidade de reestruturação ordenada de seu passivo, diante de uma série de fatores econômico-financeiros e mercadológicos que afetou suas atividades e, por consequência, sua capacidade de fazer frente à dívida abrangida neste procedimento”.

Nessa linha, a reestruturação se fez necessária. Entre os pontos que justificam a crise financeira, estão os efeitos da pandemia e restrições às lojas físicas.

Segundo o documento apresentado, a empresa diz que a pandemia de Covid-19 provocou um “descompasso severo na estrutura financeira do varejo“.

Efeitos macroeconômicos, alavancagem financeira, alta de juros e restrição do acesso dos consumidores ao crédito são outros pontos citados. O grupo afirma que, em agosto de 2023, a Ri Happy já havia renegociado R$ 292 milhões de seu endividamento bancário.

Contudo, o aumento da Selic nos últimos dois anos até o patamar de 15% em junho de 2025 agravou a situação financeira da varejista.

“Esse movimento elevou o custo dos financiamentos, inclusive da dívida alongada em 2023, e agravou a crise econômico-financeira. É o caso do Grupo Ri Happy, que, ainda em recuperação dos efeitos da pandemia, passou a enfrentar um serviço da dívida (cerca de R$ 70 milhões/ano) incompatível com seu plano de negócios.”

Nessa linha, as famílias também passaram a sofrer com os juros. A combinação do encarecimento dos financiamentos, a restrição de oferta de crédito e o elevado endividamento das famílias enfraqueceram as receitas do varejo.

De acordo com a varejista a partir de dados da Scanntech, houve uma queda de 15,5% na venda de brinquedos no ano de 2024.

A empresa ainda cita a concorrência externa, como a entrada de produtos asiáticos a menor custo por plataformas como Shopee e AliExpress; a alta carca tributária e o efeito em cadeia no mercado de varejo.

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