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Poucos sabem, mas o Parque Ibirapuera ainda guarda lembranças de um antigo cemitério de animais dos anos 1970

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Poucos sabem, mas o Parque Ibirapuera ainda guarda lembranças de um antigo cemitério de animais dos anos 1970

Antes de se tornar um dos principais pontos turísticos de São Paulo, o Parque Ibirapuera abrigou um cemitério de animais com centenas de sepulturas. O espaço, que funcionou até a década de 1970, tinha túmulos ornamentados com esculturas, fotografias e homenagens aos bichos de estimação. Duas lápides sobreviveram à desativação e ainda podiam ser vistas no parque em registros de 2023.

O cemitério pertencia à União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), associação fundada em 1895, que também mantinha um hospital veterinário e um abrigo no terreno. Mesmo após a inauguração do parque, em 1954, as instalações continuaram funcionando por vários anos.

Cemitério surgiu antes da inauguração do Ibirapuera

Durante a década 1920, a UIPA instalou o chamado Cemitério Zoófilo em uma área próxima à antiga Rua França Pinto, posteriormente incorporada ao parque. O complexo ocupava aproximadamente 13,2 mil metros quadrados e ganhou, em 1929, uma enfermaria geral para atendimento veterinário.

A maioria dos animais enterrados era formada por cães e gatos. As sepulturas tinham diferentes tamanhos e algumas exibiam fotografias dos bichos, além de inscrições deixadas pelos tutores. O local também recebia visitantes interessados em conhecer o espaço.

Saída da associação levou à destruição dos túmulos

O cemitério permaneceu em atividade até o início dos anos 1970, quando a UIPA precisou deixar o terreno durante a gestão do prefeito José Carlos de Figueiredo Ferraz.

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O hospital e o abrigo foram transferidos para a região da Marginal Tietê, no bairro do Pari, mas a maior parte das sepulturas foi destruída. Uma escultura de bronze foi levada para a nova sede da associação, enquanto apenas dois monumentos funerários permaneceram no Ibirapuera.

Lápides de dois cães preservam parte da história

Entre os poucos vestígios do antigo cemitério estão duas estruturas de pedra, localizadas nas proximidades da pista de corrida, entre os portões 4 e 5 do Parque Ibirapuera, perto do restaurante Selvagem. Apesar de discretas em meio à vegetação, elas guardam homenagens a dois cães que foram enterrados no local há décadas.

Uma das lápides tem formato de pequena pirâmide e homenageia Pinguim, um cachorro que recebeu uma inscrição dedicada por seus tutores, Nina e Nice. A outra é uma grande cruz de pedra em memória de Fiel, um pastor-alemão, cujo monumento era considerado o maior do antigo cemitério, segundo os registros do Instituto São Paulo Antiga.

Em 2023, a administração do parque instalou uma placa informativa para apresentar essa história aos visitantes. As duas lápides, que sobreviveram à remoção das demais sepulturas, ajudam a preservar a memória de uma época em que parte do atual Ibirapuera era destinada ao acolhimento, ao tratamento e ao sepultamento de animais.

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