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Justiça manda demolir obra de construtora ligada a seis mortes em SP

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Justiça manda demolir obra de construtora ligada a seis mortes em SP

A Justiça de São Paulo determinou a demolição integral de uma obra abandonada da construtora New Home, na Penha, zona Leste da capital paulista, após uma perícia apontar risco iminente de desabamento. A prefeitura de São Paulo tem até dez dias úteis para executar o serviço, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 100 mil.

A empresa é responsável pelo prédio de 12 andares que desabou em setembro, também na Penha, zona Leste da capital,  e deixou seis pessoas mortas.

A construção que deverá ser demolida fica na Avenida Padres Olivetanos, número 455, ao lado de uma instituição de ensino voltada à primeira infância, para crianças de 4 meses a 6 anos, que moveu a ação.

Segundo o laudo do perito judicial Walmir Pereira Modotti, a estrutura apresenta problemas graves, como vigas de sustentação sem concretagem, ferragens expostas à corrosão severa e emendas com amarração considerada duvidosa.

A avaliação foi realizada após vistoria com a participação de engenheiros da Subprefeitura da Penha, da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil e de fiscais do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo).

O documento concluiu que há risco concreto e iminente de ruína por deslizamento lateral e queda de materiais, com perigo para crianças e frequentadores da escola vizinha.

A perícia também apontou que não há viabilidade técnica para recuperar a estrutura e recomendou a demolição imediata.

Procurada, a subprefeitura da Penha confirmou ter recebido a notificação judicial e informou que o cronograma para a demolição está em elaboração. O órgão afirmou ainda que o imóvel abandonado foi interditado em setembro, após orientações da Controladoria-Geral do Município.

Já a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento informou que os pedidos de alvará de aprovação e execução de uma nova edificação no endereço foram indeferidos em 16 de maio de 2025 e 8 de julho de 2026.

A CNN Brasil tenta localizar a defesa da construtora. O espaço segue aberto.

Escola foi interditada por risco estrutural

A instituição de ensino acionou a Justiça após identificar danos que atribui à obra vizinha, como trincas, rachaduras e infiltrações.

Apesar de um acordo extrajudicial para reparar os problemas, a construtora teria realizado apenas intervenções paliativas e deixado de instalar bandejas de proteção contra a queda de detritos.

Segundo os autos, funcionários no local teriam se recusado a receber intimações, rompido cadeados de lacração e entrado no imóvel embargado. Diante dos episódios, a Justiça aplicou advertências à empresa por atos considerados atentatórios à dignidade da Justiça.

Em setembro de 2026, a fiscalização municipal ampliou a interdição parcial da escola para o fechamento total. A obra e outro imóvel vizinho também foram interditados por risco de ruína.

A interrupção das atividades escolares provocou transferências de alunos e demissões de funcionárias, conforme documentos apresentados no processo.

Prédio da construtora desabou e matou seis pessoas

A decisão ocorre após o desabamento, em 12 de setembro, de um prédio de 12 andares em construção na Rua Tequici, também na Penha. O imóvel, sob responsabilidade da mesma construtora, desabou sobre residências e deixou seis mortos, sendo três mulheres, uma delas grávida, dois homens e uma criança.

Veja imagens

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    Desabamento de um prédio em construção sobre uma residência na Rua Tequici, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo • CBSP

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    Até o momento, deixou ao menos duas pessoas mortas • CBSP

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    Segundo a Defesa Civil, pelo menos dez pessoas foram atingidas • CBSP

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    As equipes seguem na região para buscas de outras possíveis vítimas • CBSP

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    O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) também acompanha a situação • CBSP

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    Ainda não é possivel afirmar que a ocorrência tem relação com as chuvas que atingem São Paulo desde o início da madrugada • CBSP

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    O Corpo de Bombeiros informou que foram mobilizados ao local 42 agentes, 16 viaturas, um médico e um enfermeiro • CBSP

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O MPSP (Ministério Público de São Paulo) cobra explicações da Prefeitura sobre o histórico de fiscalização, licenciamento, embargos e multas relacionados ao empreendimento.

Quatro pessoas são investigadas, incluindo um homem apontado como sócio oculto do empreendimento, que foi preso; o responsável técnico pela obra, considerado foragido; uma sócia de outra empresa envolvida; e uma servidora municipal que assinou um relatório sobre a suposta conclusão da demolição do prédio em fevereiro de 2024.

A servidora foi afastada preventivamente por 120 dias e prestou depoimento à GM (Controladoria-Geral do Município).

A Polícia Civil instaurou inquéritos para apurar suspeitas de homicídio com dolo eventual e estelionato.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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