A Nigéria registrou nesta terça-feira (21) seu primeiro caso de Ebola em mais de uma década, tornando-se o quarto país africano, e o mais populoso até o momento, a ser atingido por um surto que possui a propagação mais rápida já documentada, segundo autoridades de saúde.
A cepa do vírus Ebola responsável por este surto mata cerca de metade dos infectados e não possui tratamento ou vacina aprovados.
Desde a confirmação dos primeiros casos na República Democrática do Congo, em maio, a doença já vitimou 4.646 pessoas.
Autoridades de saúde temem que a desinformação e a falta de recursos financeiros possam impulsionar uma propagação ainda maior, tanto dentro da região quanto além de suas fronteiras.
“O Ebola agora afeta três regiões da África. A situação exige uma ação urgente e liderança política no mais alto nível”, afirmou Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, na rede social X, nesta quarta-feira (21).
Ebola is now affecting three regions of Africa. The situation demands urgent action and political leadership at the highest level. I have invited African Ministers of Health to an extraordinary virtual meeting on 28 October to strengthen our collective response. Five months of intense efforts have shown the determination of our countries and health workers. We must now accelerate our actions, reinforce coordination and mobilise the full strength of our continent. Africa has the expertise, the institutions and the capacity to defeat this outbreak. We must act together, and we must act now. Our priority is to stop transmission and save lives. Read more: https://t.co/aO9dtJ9uBI —————- Ebola touche désormais trois régions d’Afrique. La situation exige une action urgente et un engagement politique au plus haut niveau. J’ai convié les ministres africains de la Santé à une réunion virtuelle extraordinaire le 28 octobre pour renforcer notre riposte collective. Cinq mois d’efforts intenses témoignent de la détermination de nos pays et de nos professionnels de santé. Nous devons aujourd’hui accélérer notre action, renforcer la coordination et mobiliser toutes les forces de notre continent. L’Afrique dispose de l’expertise, des institutions et des capacités nécessaires pour vaincre cette épidémie. Nous devons agir ensemble, et agir maintenant. Notre priorité est de stopper la transmission et de sauver des vies. Lire le communiqué : https://t.co/Yf1EhyOpMA
— Dr Jean Kaseya (@Dr_JeanKaseya) October 21, 2026
O caso na Nigéria envolve uma mulher ugandense que chegou a Abuja, a capital do país, vinda de Adis Abeba, no dia 5 de outubro, informou Odianosen Ehiakhamen, do Centro de Controle de Doenças da Nigéria, à emissora Arise TV, na terça-feira (20).
Dois dias após sua chegada, ela começou a se sentir mal e, em 11 de outubro, buscou atendimento em um hospital particular em Abuja apresentando sintomas semelhantes aos da malária.
Contudo, seu quadro clínico não apresentou melhora, relatou Ehiakhamen.
Ao tomarem conhecimento de que ela havia viajado recentemente para Uganda — um dos países afetados pelo surto atual —, as autoridades de saúde realizaram um teste para Ebola no dia 19 de outubro.
O resultado positivo foi confirmado na terça-feira. As autoridades identificaram 44 pessoas que tiveram contato com ela, a maioria profissionais de saúde.
Entre elas está o marido da paciente, um cidadão suíço que reside com ela em Abuja.
As autoridades também estão rastreando os passageiros que viajaram com ela, embora não acreditem que ela apresentasse sintomas durante o voo.
O ministro da Saúde, Muhammad Ali Pate, declarou à emissora pública NTA que a mulher encontra-se isolada e recebendo tratamento.
Uganda diz que não tem casos ativos de Ebola
O Ministério da Saúde de Uganda informou que a mulher havia viajado para o Congo, onde mais de 9.500 casos de Ebola foram registrados em oito províncias.
Não ficou claro de imediato em quais locais do Congo ela esteve.
“O fato de ter passado por Uganda não significa que a infecção tenha ocorrido aqui”, afirmou o Ministério da Saúde de Uganda, acrescentando que o país não apresenta casos ativos de Ebola.
Uganda registrou 20 casos em maio e junho, a maioria importada do Congo, mas a Organização Mundial da Saúde declarou o país livre de Ebola em agosto.
No início deste mês, o Quênia relatou seu primeiro caso de Ebola, envolvendo um viajante que chegou do Congo passando por Uganda.
Desde então, o país registrou nove casos, todos relacionados ao mesmo paciente. levantando questões sobre a eficácia dos sistemas de triagem nas fronteiras, projetados para evitar a transmissão transfronteiriça.
A propagação do Ebola para o Quênia levantou questões sobre a eficácia dos sistemas de triagem nas fronteiras, projetados para evitar a transmissão entre países.
Pate, ministro da Saúde da Nigéria, afirmou que o país conseguiu conter o Ebola com sucesso em 2014, durante a epidemia na África Ocidental — o maior surto já registrado.
Ele ressaltou que a Nigéria dispõe dos sistemas necessários para responder a este novo caso.
Ebola na República Democrática do Congo é o mais mortal da história

