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Importação de máquinas agrícolas sobe 42%; vendas internas caem 16%

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Importação de máquinas agrícolas sobe 42%; vendas internas caem 16%

As vendas de máquinas agrícolas no Brasil recuaram 15,8% em unidades de janeiro a agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A retração chega a 39,4% no segmento de colheitadeiras, enquanto as importações de máquinas agrícolas cresceram 42% de janeiro a setembro, ampliando a pressão competitiva sobre os fabricantes instalados no país.

Os números reforçam um quadro de retração já identificado pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Em levantamento divulgado no início de outubro, a entidade apontou que o faturamento das vendas de máquinas e equipamentos agrícolas somou R$ 36,3 bilhões entre janeiro e agosto, queda de 22,4% em relação ao mesmo período de 2025. Em junho, a Abimaq já havia registrado recuo de 21,3% no faturamento do primeiro semestre, para R$ 26,64 bilhões.

Os indicadores das duas associações medem aspectos diferentes do mercado: a Anfavea apresenta o volume de máquinas vendidas, enquanto a Abimaq acompanha a receita do segmento. Em conjunto, os dados mostram que a fraqueza não está restrita a uma categoria de equipamento ou a um único indicador.

Colheitadeiras têm a maior retração

Entre janeiro e agosto, as vendas de tratores de rodas recuaram 14,1%, para 25,5 mil unidades, ante 29,7 mil no mesmo intervalo de 2025. Já as vendas de colheitadeiras caíram de 2,3 mil para 1,4 mil unidades, segundo a Anfavea.

A queda ocorre em um ambiente de crédito caro e rentabilidade pressionada para os produtores rurais. Na avaliação da entidade, o endividamento elevado e a menor capacidade de geração de caixa desestimulam a compra de equipamentos novos. No caso das colheitadeiras, o custo mais alto do investimento torna a decisão especialmente sensível às condições de financiamento.

A Abimaq já havia apontado o endividamento dos agricultores e os efeitos do câmbio sobre os preços das commodities como fatores que limitam a capacidade de investimento e adiam a renovação do parque de máquinas.

Importações crescem, com destaque para China e Índia

Enquanto as vendas internas recuam, as importações de máquinas agrícolas avançaram 42% de janeiro a setembro, na comparação anual, segundo os dados de comércio exterior apresentados pela Anfavea. As exportações brasileiras cresceram 9% no mesmo período.

China e Índia lideram o fornecimento externo de tratores agrícolas. Até setembro, foram importadas 5.249 unidades de cada país. As compras de tratores chineses aumentaram 117% em um ano, enquanto as de origem indiana cresceram 11%.

O avanço chinês se concentra principalmente nos equipamentos de menor potência. Cerca de 90% dos tratores importados até setembro tinham até 100 cavalos. A faixa entre 50 e 100 cavalos somou 6.412 unidades, alta de 56% em relação ao mesmo período de 2025.

Os números indicam que os fornecedores asiáticos ampliam sua presença em categorias importantes do mercado brasileiro em um momento de retração das vendas domésticas. A Anfavea também chama a atenção para a participação de máquinas chinesas nas compras públicas.

Máquinas chinesas ganham espaço em licitações

Em 2025, equipamentos de origem chinesa representaram 33,5% das unidades de máquinas autopropulsadas licitadas no país e 26% do valor total das compras, segundo levantamento apresentado pela Anfavea com base em dados do Portal Nacional de Contratações Públicas. O conjunto analisado reuniu 10.603 produtos, com valor de R$ 3,7 bilhões.

Os tratores agrícolas concentraram 3.318 unidades licitadas, das quais 65% eram importadas. Em outras categorias, a participação da produção local foi maior: 84% nas retroescavadeiras e 86% nas escavadeiras hidráulicas.

A presença de equipamentos importados, portanto, varia conforme o tipo de máquina, mas é particularmente expressiva nos tratores agrícolas, segmento em que os fornecedores asiáticos vêm ampliando sua participação.

Custos também pressionam a indústria

Além da demanda mais fraca e da concorrência externa, a Anfavea aponta aumento dos custos de componentes plásticos utilizados na fabricação de máquinas. A entidade estima que a manutenção da alíquota de importação de 20% sobre resinas plásticas e polímeros, somada a medidas antidumping, pode elevar entre 4% e 7% o custo desses componentes.

A pressão sobre os insumos ocorre simultaneamente à retração do mercado interno e ao avanço das importações, combinação que amplia o desafio de competitividade para os fabricantes nacionais.

O cenário, porém, não é uniforme entre os segmentos de máquinas autopropulsadas. As vendas internas de máquinas rodoviárias somaram 27 mil unidades de janeiro a agosto, alta de 13,1% na comparação anual. Segundo a Anfavea, o desempenho é sustentado pela atividade da construção civil e por investimentos em infraestrutura, que favorecem a demanda por escavadeiras, motoniveladoras e pás carregadeiras.

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