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Eneva se diz pronta para substituir projetos da EPP e prevê atrasos em 2028

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O CEO da Eneva, Lino Cançado, afirmou que considera a companhia a mais bem posicionada para ocupar o espaço dos projetos da EPP (Evolution Power Partners) no leilão de reserva de capacidade, caso a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) mantenha a inabilitação das usinas. O executivo alertou, porém, que os projetos poderão enfrentar atrasos nas entregas previstas para 2028.

Em entrevista ao Alta Voltagem, programa de TV da CNN, Cançado disse que o prazo disponível para executar esses empreendimentos, que antes era de dois anos e meio, agora é inferior a dois anos. Segundo ele, será necessário considerar as dificuldades para obter equipamentos, contratar empresas e conseguir licenças.

“Certamente os projetos sofrerão atrasos e aí vai ter uma discussão de quanto a Aneel vai dar de prazo adicional para aquelas empresas que sejam habilitadas nessa hipótese para elas poderem se organizar e entregar os projetos”, afirmou.

A avaliação se refere à hipótese de a diretoria da Aneel confirmar a exclusão dos projetos da EPP e permitir a convocação de outros empreendimentos. A CPL (Comissão Permanente de Leilões) inabilitou os consórcios liderados pela empresa, com projetos que somam cerca de 1,7 GW de capacidade, por entender que não comprovaram a qualificação econômico-financeira exigida no edital.

A EPP contesta o entendimento e busca reverter a decisão. Se a inabilitação for mantida, projetos de Eneva e Global Participações em Energia poderão ser chamados, respeitada a ordem de classificação do leilão.

Cançado avaliou que as entregas previstas para 2029 teriam prazo suficiente para uma empresa já posicionada no mercado de equipamentos. Para 2028, afirmou que a execução também é possível, embora com dificuldades adicionais e perspectiva de atraso.

“Nós estamos posicionados no mercado de equipamento, temos condições tranquilamente de entregar 2029 e 2028 nós também temos condições”, disse.

Ao defender a posição da Eneva, o executivo citou a capacidade financeira e o acesso a equipamentos e fornecedores. Segundo ele, a companhia é a maior cliente da GE Vernova na América do Sul e também é cliente da Siemens Energy.

A empresa tem, ainda, projetos desenvolvidos internamente que poderiam se enquadrar na contratação, afirmou Cançado.

Outros interessados

O interesse pelos empreendimentos da EPP também atraiu a Âmbar, braço de energia do grupo J&F, dos irmãos Batista. Conforme a CNN noticiou com exclusividade, a companhia assinou uma opção de compra sobre projetos da EPP selecionados no leilão.

Cançado também alertou para os efeitos de uma eventual demora na definição da contratação sobre a oferta de potência no sistema elétrico. Na avaliação dele, haverá risco se a capacidade dos projetos inabilitados não for reposta ou se os empreendimentos convocados não forem entregues no prazo.

“Já existe um buraco de potência no sistema para 2028 que já é conhecido. Então, se isso não se resolver logo e se não tiver um empreendedor com capacidade e com confiabilidade que vai entregar, eu diria que o próximo governo, seja quem for, já vai entrar com esse problema para resolver”, afirmou.

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