Dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que o estado do Pará é o que mais registra focos de incêndio ativos nas últimas 48 horas em todo o país.
Dados colhidos entre domingo (18) e segunda-feira (19) indicam que o Pará tem 469 focos ativos. O Maranhão está na segunda posição, com 176 focos, e Minas Gerais tem 114. Portanto, o estado sozinho concentra 38% de todos os incêndios ativos no país.
Mês ruim, ano pior
No acumulado do mês de outubro, o Pará também está na dianteira, com um somatório de 7.309 focos de incêndio, um número muito acima da Bahia, que ocupa a segunda posição, com 2.397 ocorrências.
Os dados do INPE também são preocupantes no somatório de todo o ano. Até o momento, o Pará acumula 19.027 incêndios, enquanto o Mato Grosso ocupa a segunda posição do ranking, com 9.879 incidentes.
Outubro infernal
O mês ainda não acabou, mas, em apenas 19 dias de outubro, o Pará registrou 7.309 focos de incêndio; ou seja, o cenário pode piorar ainda mais até o fechamento do mês.
Até então, setembro havia tido o pior registro, com 5.224 casos, seguido por agosto, com 3.962. O melhor mês de 2026 foi abril, com apenas 18 registros.
No acumulado dos primeiros nove meses, foram 11.718 registros. Na comparação, o décimo mês do ano é infernal no estado, pois representa, em pouco mais da metade do mês, 62,37% de todos os incêndios registrados nos 273 dias anteriores.
Fogo acima da média
Segundo a média histórica, com a somatória de dados entre 1998 e 2026, o mês de agosto concentra 28,5% dos registros totais de focos de incêndio no estado, seguido por setembro (22,9%) e outubro (10,2%).
Assim, o período incompleto de outubro supera a média dos meses de inverno e primavera que, tradicionalmente, são marcados pela estiagem na região.
De acordo com a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), a área com seca moderada no estado subiu de 13% para 22% no Pará justamente nesses meses. É a condição mais severa do fenômeno no território paraense desde janeiro de 2025.
Melhora no Amazonas
O Amazonas está na 15ª posição, com 13 focos identificados. Apesar da drástica redução na quantidade de incêndios no estado por conta da atuação da força-tarefa — que une municípios, governo estadual e governo federal no combate aos incêndios recentes —, Manaus e outros 35 municípios têm sofrido com o excesso de fumaça e as consequentes complicações para o bioma e a saúde dos moradores.

