A Itália aprovou nesta terça-feira (20) um conjunto de medidas de segurança após uma onda de distúrbios que atingiu cidades do norte da Itália durante o fim de semana.
O distúrbio do final de semana atingiu, inclusive, a capital financeira italiana, Milão, onde grupos compostos majoritariamente por jovens promoveram atos de violência, quebrando vitrines, saqueando lojas e atacando a polícia.
O pacote inclui a criação de um novo tipo penal — a participação violenta em manifestações —, penas mais severas para participantes de tumultos e a responsabilização financeira de pais cujos filhos se envolvam em atos de vandalismo e saques.
“Não há nada de revolucionário em vandalizar e roubar. Vandalismo e roubo não são protesto; são criminalidade”, afirmou a primeira-ministra Giorgia Meloni nas redes sociais, ao anunciar o decreto.
Como parte do conjunto de medidas, que entra em vigor imediatamente, qualquer pessoa que participe de um grupo de pelo menos cinco indivíduos e coloque em risco a segurança pública durante manifestações estará sujeita a uma pena de até cinco anos de prisão e multa máxima de 20 mil euros (equivalente a cerca de R$ 112 mil).
As penas são agravadas caso os envolvidos estejam com os rostos cobertos ou se houver feridos.
As autoridades passam a ter autonomia para determinar a reparação imediata de danos causados; no caso de menores de idade, a responsabilidade recairá sobre seus pais.
Além disso, polícia terá autorização para deter jovens com idades entre 14 e 17 anos, mesmo que não tenham cometido um crime, desde que haja indícios de que representam um perigo — uma ampliação de poderes que, anteriormente, aplicava-se apenas a adultos.
Diante do receio de novos distúrbios em manifestações planejadas para sábado (24), o governo anunciou que mobilizará 500 militares do Exército para atuar ao lado da polícia em Milão até o final de 2026.
Segundo o Ministério da Defesa, os militares auxiliarão no reforço da segurança em pontos estratégicos, intensificarão a vigilância em locais sensíveis e ampliarão o monitoramento na região.
Protestos e violência se espalham pela Itália e Europa
Os distúrbios no norte da Itália assemelham-se aos tumultos ocorridos na vizinha França, onde centenas de milhares de pessoas foram às ruas no sábado (17), protagonizando um dos episódios de violência mais intensos vistos no país nos últimos anos.
Desde que assumiu o cargo em 2022, Meloni tem implementado uma série de medidas rigorosas na área de segurança — iniciativas que, segundo críticos, pouco contribuem para solucionar as causas profundas da criminalidade e da desordem.
A população carcerária da Itália aumentou mais de 17% em quatro anos, um acréscimo de quase 10 mil pessoas, segundo dados do governo.
O governo de Meloni também enfrenta uma pressão crescente decorrente de uma onda de protestos no sul da Itália, onde caminhoneiros, revoltados com a disparada dos preços do diesel e o aumento do custo de vida, organizaram bloqueios em estradas que estão prejudicando as cadeias de suprimentos.
Alguns fabricantes de massas tiveram de interromper a produção, e grupos do setor agrícola alertaram que frutas e hortaliças correm o risco de apodrecer.
Após negociações com representantes do setor, o governo prometeu novos auxílios aos transportadores rodoviários.
Manifestantes, tanto no norte quanto no sul do país, afirmam que a alta dos preços está empurrando famílias para a pobreza — uma preocupação para Meloni, tendo em vista as eleições nacionais previstas para 2027.
“Sabemos o que significa buscar um emprego, receber um salário insuficiente e não ver perspectivas para o futuro… mas as dificuldades jamais devem servir de justificativa para a violência”, declarou a primeira-ministra nesta terça-feira.
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