A cantora, atriz e produtora musical Nabiyah Be, 34, tem uma carreira que passa pelos palcos da Broadway, Hollywood e, recentemente, chegou às televisões brasileiras. E a pluralidade de lugares e talentos vem do berço. Nabiyah é filha de Jimmy Cliff com a psicóloga Sônia Gomes, de nacionalidade brasilo-jamaicana.
Nascida tão perto de um dos maiores nomes do reggae, a infância de Nabiyah foi marcada por palcos, viagens e participações nos shows do próprio pai. Ainda jovem, passou a perseguir a carreira como atriz internacionalmente, em que esteve ao lado de Anaïs Mitchell no premiado musical “Hadestown”, sendo a primeira atriz a viver a protagonista Eurídice. Desde então, ela soma em seu currículo um papel no vencedor do Oscar “Pantera Negra” e como a talentosa Simone em “Daisy Jones and the Six”. Recentemente, Nabiyah fez sua estreia nas séries nacionais com “Jogada de Risco”, do Globoplay, em que viveu Alessia, uma agente da Fifa que entra na vida de Maurício (Cauã Reymond) e Cris (Mariana Sena).
Em conversa com a CNN Brasil, Nabiah explica a vontade de trazer seu trabalho para o país onde nasceu: “Eu saí do Brasil com 18 anos, fazia parte de uma companhia de teatro. Saí com a sensação de que não tinha espaço para mim como atriz, para fazer o que queria fazer. Então fazer uma série brasileira é um lugar de cura com a terra natal, uma retomada de raízes. E eu fiz esses projetos e ninguém sabia que eu era brasileira. Eu pensava: ‘Eu tenho que voltar a fazer alguma coisa lá para as pessoas saberem que sou baiana.”
Mas não será apenas nas televisões brasileiras que Nabiyah pretende estar. A cantora lançou seu disco “O que o Sol Quer” em 2025, em que mistura composições em inglês e português e mistura a sonoridade brasileira com reggie e jazz, e está na etapa de concluir sua turnê pelo Brasil.
Conheça mais a história de Nabiayh Be:
Como surgiu a proposta para estar em “Jogada de Risco”?
N: A produção me ligou porque eles estavam procurando uma atriz muito específica. Que dominasse o inglês britânico e que sustentasse esse lugar de poder. Me mandaram os roteiros e eu achei super interessante e topei.
Como foi, para você, participar da criação de projetos que se tornaram grandes produções e deixaram um legado no teatro, no caso de “Hadestown”?
N: Sempre digo que me tornei a artista que sou lá fora. E eu dei muita sorte porque eu fiz parte da criação de muitos projetos grandes e importantes, que continuam tendo uma vida própria. Eu fui a primeira protagonista de “Hadestown”, eu fiz a Eurídice, eu trabalhei muito próximo da Rachel Chavkin (diretora da peça), com a Anaïs Mitchell (compositora). E hoje várias atrizes fazem a Eurídice em muitas coisas baseadas nos nossos workshops, nas semanas que montamos juntas as primeiras produções. Então, é um processo muito rico, assim, como atriz, a gente meio que cria o fundamento para que o espetáculo siga uma vida longa.
Você começou em Hollywood com “Pantera Negra”, que veio a conquistar o Oscar. Como foi estar lá?
N: A fofoca da família, assim, era que ‘Nabiyah fez para Pantera Negra’. Foi meu primeiro filme, então eu não tinha experiência no audiovisual. Eu tinha acabado de sair de um processo super nutritivo, assim fazendo “Hadestown” e protagonizando um musical em Nova York só com mulheres, então foi um processo de ir para o centro da máquina que é Marvel. Foi tudo muito novo para mim; tinham coisas básicas que eu não sabia assim do audiovisual, mas eu fui aprendendo nesse grande holofote.
Acho que, depois de ‘Pantera Negra’, o cinema passou a ter mais consciência nos debates sobre racialidade, sobre quem está por trás das narrativas dos filmes, quem dirige, quem escreve. E acho que o filme foi feito com esse intento de mudar a percepção de quem costura a cultura.
Você é filha de uma brasileira com um jamaicano. Tem uma relação que é muito particular com o Brasil. Como você acha que essa conexão com o Brasil influencia a sua arte?
N: É minha terra natal. Na minha adolescência, eu fui muito baiana. Vivi muito Salvador, vivi muito axé, vivi muito ser de onde eu sou. Eu acho que a musicalidade, a espiritualidade, é inevitável trazer para todo o lugar que vou e para tudo que eu faço. Me considero uma atriz muito física, e muito do que compreendo é pelo meu corpo. Acho que ter passado pela dança, ter vivido essa experiência do corpo nas ruas de Salvador me proporcionou um leque muito profundo, muito rico.
Por ter uma família de nacionalidade diversa, como isso impactou sua forma de ver o pertencimento?
N: Eu sinto que é uma das minhas grandes questões. Tem uma palavra em inglês que é o “third culture kid”, uma criança que cresceu com múltiplas culturas, pais de diferentes lugares, muitas mudanças. A gente acaba tornando o que é uma dor de pertencimento, quase em um super-poder. Por exemplo, eu peguei a Alessia em ‘Jogada de Risco’, e eu nunca tinha falado inglês britânico, mas, como eu tenho muita facilidade em línguas, por trabalhar com música também, tenho facilidade com essas sutilezas. Hoje, é um pouco mais fácil responder isso, eu me sinto uma alma do mundo.
Por que as músicas que ouvimos na juventude marcam a nossa vida?

