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Eleitores de candidatos derrotados podem ser decisivos, avalia especialista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Eleitores de candidatos derrotados podem ser decisivos, avalia especialista

Uma pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira (20), aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulação de segundo turno, considerando os votos válidos. Segundo Bruno Soller, analista e sócio do instituto, ao CNN Novo Dia, os eleitores de candidatos derrotados no primeiro turno podem ser decisivos.

Soller afirmou que a tendência observada desde o encerramento do primeiro turno é de uma leve vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula. De acordo com Soller, essa vantagem vem se solidificando ao longo do tempo. “Na média, quase que todas as pesquisas divulgadas até agora apontam para uma certa vantagem do Flávio em relação ao presidente”, afirmou o analista.

O peso dos votos dos candidatos eliminados

O especialista destacou que o resultado das urnas no primeiro turno já mostrava Flávio Bolsonaro ligeiramente à frente. No entanto, o ponto central da disputa está no destino dos votos dos candidatos que não avançaram ao segundo turno.

“Quando a gente olha para o cenário dos outros candidatos que receberam votos, a grande maioria desse eleitorado tende mais a ir para o Flávio Bolsonaro do que para o presidente Lula, pelo perfil eleitoral desses candidatos”, explicou Soller.

O analista citou especialmente os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) como os que mais tendem a migrar para Flávio Bolsonaro. Já o eleitorado de Augusto Cury (Avante), segundo ele, se dividiria de forma mais equilibrada entre os dois candidatos.

Para que Lula conseguisse uma virada, Soller estima que seria necessário captar cerca de 65% dos votos desse conjunto de eleitores.

Solidificação dos votos e o papel dos indecisos

Soller observou que os eleitores que votaram em Lula no primeiro turno seguem fiéis ao candidato, assim como os de Flávio Bolsonaro. “A grande disputa se dá nessa turma que votou nos outros candidatos”, pontuou. Segundo ele, esses eleitores buscavam mudança, e essa mensagem foi justamente o que Flávio Bolsonaro passou com mais eficácia durante a campanha.

Outro fator mencionado foi o eleitorado que se absteve no primeiro turno — cerca de 33 milhões e 400 mil pessoas. Soller avaliou que mobilizar esse público é um desafio considerável para Lula.

“Na história do Brasil, a gente nunca teve grandes movimentos de alteração, de abstenção do primeiro para o segundo turno. Normalmente, quando se teve, foi de aumento da abstenção”, disse o analista.

Impacto dos debates e das medidas do governo

A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 19 de outubro, período que captou eventos recentes como a aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 e acenos do governo federal aos microempreendedores individuais. Soller, no entanto, avaliou que essas iniciativas ainda não surtiram o efeito esperado nas intenções de voto.

Sobre os debates, o analista considerou que eles têm papel relevante na formação da opinião pública. “As pessoas estão discutindo a eleição, finalmente”, disse Soller, acrescentando que o debate da Band reforçou, em parte, a posição dos indecisos de rejeitar ambos os candidatos. Para ele, o próximo debate terá grande relevância para o desfecho da disputa.

Rejeição como termômetro da eleição

Segundo os dados da pesquisa, Lula registra índice de rejeição de 35%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 33%. Soller destacou que essa diferença de dois pontos na rejeição de Lula espelha, de forma quase simétrica, a vantagem de dois pontos que Flávio Bolsonaro apresenta nas intenções de voto.

“É uma disputa de rejeições”, resumiu o analista. “O Lula hoje é um pouco mais rejeitado em função de uma desaprovação do seu governo”, concluiu.

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