Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegam à reta final do segundo turno das eleições de 2026 ajustando suas estratégias de campanha.
Segundo apuração do analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao CNN 360°, os dois candidatos estão calibrando com precisão a proporção entre propaganda negativa e positiva, em um cenário em que o eleitorado se encontra altamente polarizado.
Eleitorado calcificado define estratégia das campanhas
As duas campanhas identificaram que a margem para converter votos do adversário é mínima, quase inexistente.
Diante desse cenário, o principal caminho disponível para ambos os lados é tentar empurrar eleitores do oponente para o voto nulo, branco ou para a abstenção.
No caso de Flávio, o objetivo é ampliar sua votação; no caso de Lula, aproximar-se do adversário e, quem sabe, virar o resultado.
Desde o final do primeiro turno, a campanha de Lula já destinava cerca de 50% de sua propaganda a ataques ao adversário, reservando a outra metade para propostas, apresentação de legado e mensagens propositivas.
A campanha de Flávio também reservava uma parcela considerável de seu tempo para ataques a Lula, sustentada, em grande medida, pelo antipetismo que embasa sua votação.
Com a chegada do segundo turno, a carga de propaganda negativa dos dois lados aumentou de forma significativa.
Temas explorados por cada campanha
A campanha de Flávio tem apostado em temas como o caso envolvendo Roberta Luchsinger, o caso do Lulinha e uma frase dita por Lula no debate — “sou carioca, não sou malandro” —, que gerou reações negativas e foi reconhecida pela própria campanha de Lula como uma declaração infeliz.
Além disso, a campanha de Flávio explora a questão da redução da maioridade penal, assunto que coloca Lula na defensiva.
Já a campanha de Lula adotou a estratégia de constranger Flávio Bolsonaro a abrir suas contas, seu sigilo telefônico e bancário. Lula também passou a pedir uma comparação patrimonial, respondendo às acusações de corrupção que lhe são direcionadas.
Outra frente utilizada pela campanha de Lula é a chamada “estratégia do medo”: a narrativa de que Flávio Bolsonaro, se eleito, poderia revogar ou modificar a aprovação da escala 6×1 no Senado, forçando a campanha adversária a gastar tempo respondendo a essa acusação.
Bolsa Família e relações com advogado também entram no embate
A campanha de Lula também tem utilizado declarações da administradora Daniella Marques, coordenadora de campanha de Flávio Bolsonaro em temas econômicos, em entrevista à CBN de Salvador, nas quais ela trata da regra de transição do Bolsa Família.
Segundo Pedro Venceslau, essas declarações foram distorcidas para dar a impressão de que Flávio Bolsonaro seria contrário ao benefício e que ele poderia acabar com o programa caso fosse eleito.
Por fim, a campanha petista também tem explorado a relação entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, bem como a ligação de Willer Tomaz com Daniel Vorcaro e a consequente relação deste com Flávio Bolsonaro.

