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Belterra capta R$ 250 milhões para recuperação de áreas e cultivo de cacau

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Belterra capta R$ 250 milhões para recuperação de áreas e cultivo de cacau

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou financiamento de R$ 250 milhões para a Belterra recuperar 4 mil hectares de áreas degradadas na Amazônia por meio do cultivo de cacau em sistemas agroflorestais. O projeto, que terá investimento total de R$ 302 milhões, será implantado principalmente no Pará, com atuação também em Mato Grosso, e prevê produção superior a 12 mil toneladas de cacau por ano.

Os recursos são provenientes do Fundo Clima e serão destinados à implantação de sistemas que combinam o cultivo de cacau com árvores nativas e outras culturas agrícolas. A iniciativa prevê o plantio de aproximadamente 4,72 milhões de mudas e tem conclusão estimada para 2031.

O projeto será executado pela Restaura Amazônia SPE, empresa do Grupo Belterra, em áreas anteriormente utilizadas como pastagens degradadas ou lavouras de baixa produtividade. Entre as regiões contempladas estão a Transamazônica e Carajás, no Pará, e Alta Floresta, no norte de Mato Grosso.

A proposta é recuperar a capacidade produtiva dessas terras sem avançar sobre áreas de floresta nativa. O cacau será a principal atividade comercial, cultivado em conjunto com espécies como açaí, castanheira, andiroba, ingá, ipê, jatobá e paricá, além de culturas de ciclo mais curto, como banana e mandioca.

Ao todo, o projeto prevê o uso de 25 espécies nativas, que devem contribuir para a recuperação do solo, a ampliação da cobertura vegetal e a diversificação das fontes de renda dos produtores rurais.

A expectativa de produção de mais de 12 mil toneladas anuais de cacau poderá ampliar a oferta nacional da amêndoa, utilizada pela indústria de chocolate. Segundo o BNDES, o aumento da produção também poderá contribuir para reduzir a dependência brasileira de importações e fortalecer a cadeia produtiva do setor.

Parceria com produtores

O modelo prevê acordos com proprietários rurais que tenham áreas degradadas ou de baixa produtividade. A Belterra ficará responsável pelos investimentos iniciais, incluindo mudas, insumos, assistência técnica e mão de obra, sem exigir aporte financeiro dos produtores parceiros.

Os contratos poderão ser firmados por meio de arrendamento ou parceria rural. Neste segundo modelo, os produtores receberão uma remuneração fixa durante os três primeiros anos, antes do início da produção comercial de cacau. Com o começo das colheitas, passarão a receber uma parcela da produção.

O projeto também prevê capacitação em práticas agroflorestais, apoio à comercialização e iniciativas de regularização documental e certificação dos produtores. As atividades incluem produção de mudas, preparo do solo, plantio, manejo, colheita e processamento do cacau.

Os investimentos também contemplam a ampliação de viveiros, sistemas de irrigação, máquinas e equipamentos agrícolas e estruturas para fermentação e secagem das amêndoas.

Créditos de carbono

Além da recuperação dos 4 mil hectares, o projeto estima remover cerca de 337 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) até 2031, conforme as estimativas consideradas pelo BNDES na análise do financiamento. A remoção de carbono ocorre pelo crescimento das árvores e pelo armazenamento do elemento na vegetação.

A Belterra pretende ainda obter certificação para gerar créditos de carbono associados às áreas recuperadas. A eventual receita dependerá da validação dos projetos, da certificação das remoções e das condições de mercado.

A operação tem prazo total de 15 anos, com cinco anos de carência. Esta é a segunda operação do Fundo Clima com o Grupo Belterra. Em 2025, o banco contratou R$ 100 milhões em financiamento para a implantação de 2.750 hectares de sistemas agroflorestais em áreas degradadas do Pará, da Bahia, de Mato Grosso e de Rondônia.

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