A semana que antecede o segundo turno das eleições chega carregada de eventos relevantes para o mercado financeiro. Entre os destaques estão a publicação do IPCA-15 de outubro, prevista para o dia 23, e as últimas pesquisas eleitorais antes da definição do próximo presidente da República.
O analista de Economia da CNN Victor Irajá detalhou, ao CNN Novo Dia, os principais pontos de atenção para investidores e empresários e avaliou que a semana é marcada pela inflação às vésperas da eleição.
Boletim Focus mantém projeções de corte na Selic
O boletim Focus desta segunda-feira (19) confirmou a tendência que o mercado já vinha precificando: a expectativa de dois cortes adicionais de 25 pontos base na taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano.
Segundo Victor Irajá, o destaque do relatório não foi uma novidade, mas sim a manutenção dessas projeções. “O que chama atenção na verdade é a manutenção, não é exatamente a novidade”, afirmou o analista.
Com isso, o mercado passou a projetar uma Selic terminal em 2026 de 13,25% ao ano. Esse cenário se consolida mesmo diante de projeções de inflação ainda bastante pressionadas. O IPCA ao fim deste ano é estimado pelo mercado em 5,22%, bem acima da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3%, com teto de tolerância de 4,5%.
Inflação segue desancorada
Victor Irajá ressaltou que a inflação permanece desancorada em relação à meta oficial. O analista lembrou que o IPCA fechado de setembro veio acima das expectativas do mercado, assim como o IPCA-15 divulgado na semana anterior, o que levou a um reajuste nas projeções das instituições consultadas pelo Banco Central.
Apesar dos números pressionados, Irajá ponderou que a composição qualitativa da inflação tem sido um fator relevante na leitura do mercado. “A gente tem acompanhado que, na verdade, esse comportamento dos preços não envolve tanto a inflação de demanda”, explicou. Esse aspecto sustenta a visão de que ainda há espaço para os dois cortes adicionais na Selic.
IPCA-15 de outubro no radar
A publicação do IPCA-15 de outubro, marcada para o dia 23, deve trazer uma leitura que ainda aponta a inflação rodando acima do teto de 4,5%. No entanto, Victor Irajá sinalizou que o resultado deve ser “um pouquinho menos significativo” do que o registrado no IPCA fechado de setembro.
O analista atribuiu essa expectativa à recomposição dos bônus de Itaipu, que haviam beneficiado o comportamento dos preços no dado de agosto e agora devem gerar uma normalização da variação dos preços.
O mercado também acompanha de perto o cenário político. Com o segundo turno das eleições se aproximando, investidores estão analisando e digerindo as pesquisas eleitorais para decidir onde alocar seus recursos.

