⚡ Últimas

Sustentar posição no ranking do FMI é desafio para Brasil, diz economista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Sustentar posição no ranking do FMI é desafio para Brasil, diz economista

O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou projeção indicando que o Brasil deve retornar à 8ª posição no ranking das maiores economias do mundo em 2027. Segundo o fundo, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deve atingir 2,8 trilhões de dólares naquele ano, superando Itália e Rússia.

Para 2026, o Brasil ainda deve ocupar a 10ª posição, com um PIB projetado em 2,65 trilhões de dólares. O FMI também revisou para baixo a previsão de crescimento do país: 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027.

O ranking completo projetado pelo fundo para 2027 coloca os Estados Unidos na liderança, com PIB de 34,044 trilhões de dólares, seguidos por China, Alemanha, Índia e Reino Unido no top 5.

Desafio vai além de subir no ranking

Em entrevista, Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV, avaliou que a projeção é positiva, mas ponderou que ela reflete também as dificuldades enfrentadas por outros países.

“É uma ótima notícia, mas diz também sobre os outros países que estão caindo de posições. Diz sobre essa guerra interminável entre Rússia e Ucrânia, que vai fazer o Brasil ficar à frente da Rússia”, afirmou.

Ela destacou ainda que o ranking é medido em dólares e, portanto, depende diretamente da taxa de câmbio e do desempenho das demais economias.

Tatiana Pinheiro ressaltou que o verdadeiro desafio do Brasil não é apenas alcançar a 8ª posição, mas sustentá-la. “Não basta chegar nessa posição, a gente tem que se sustentar nessa posição e, principalmente, tamanho não é documento. O nosso desafio é converter esse tamanho da economia em produtividade e principalmente em aumento da renda per capita”, disse.

Pinheiro lembrou que o Brasil já ocupou essa colocação anteriormente, na década de 1990, após a estabilização da moeda com o Plano Real.

Ajuste fiscal e taxa de juros

Para que o Brasil consiga alcançar e manter a 8ª posição, Tatiana Pinheiro apontou o ajuste fiscal como condição fundamental. Segundo ela, a redução da taxa Selic, atualmente acima de dois dígitos, é indispensável para um crescimento econômico sustentável.

“A taxa Selic nesse patamar acima de 10% é proibitiva para a gente pensar em crescimento sustentável para frente. Essa taxa de juros tem que cair e ela só pode cair de maneira sustentável”, afirmou. A pesquisadora destacou que isso exige racionalização dos gastos fiscais e estabilização da dívida em relação ao PIB.

Tatiana Pinheiro também mencionou declarações de Kristalina Georgieva, que em painel chamado Agenda Global ressaltou que o ambiente internacional tende a apresentar taxas de juros mais elevadas, em razão de tensões geopolíticas e da crescente demanda por investimentos ligados à transformação tecnológica e à inteligência artificial. Esse cenário seria especialmente desafiador para países com alto endividamento, como o Brasil.

Potencial de atração de investimentos

Apesar dos desafios, Tatiana Pinheiro destacou que o Brasil possui atrativos relevantes para investidores estrangeiros. O país conta com energia verde e barata em comparação a outros países, além de ser a segunda maior reserva mundial de minerais críticos ainda pouco explorados.

“Energia é o nome-chave e o Brasil tem energia verde e barata, perto de outros países. Isso já nos faz atraentes”, afirmou.

No entanto, a pesquisadora apontou lacunas que precisam ser superadas. Entre elas, destacou a necessidade de melhorar as condições institucionais e macroeconômicas, além de investir em educação.

“O Brasil, apesar de todas essas riquezas diferenciais, tem uma mão de obra ainda muito pouco qualificada. Seria essencial uma reformulação do ensino no país para formar essa mão de obra necessária para essa transformação tecnológica”, concluiu.

Em relação às projeções de crescimento, Tatiana Pinheiro chamou atenção para a divergência entre as estimativas: enquanto o FMI projeta expansão de 2,2% para 2026, o Banco Central trabalha com 1,8%. Para 2027, o FMI prevê desaceleração para 1,9%, ao passo que economistas consultados pela pesquisa Focus esperam crescimento ainda menor, de 1,4%.

8 em cada 10 pessoas consideram usar IA para decisões financeiras

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
Sustentar posição no ranking do FMI é desafio para Brasil, diz economista — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado