O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, rejeitou, neste domingo (18), os pedidos para que renunciasse ao cargo. Ele afirmou que os protestos de rua — que entraram em seu sexto dia — não representam uma ameaça ao seu governo, mas sim ao desejo do país de ingressar na União Europeia.
As manifestações, lideradas por estudantes e impulsionadas pela indignação com a suposta corrupção governamental, a escassez de empregos e a precariedade do sistema educacional, tomaram conta do centro de Tirana e se espalharam por outras cidades ao longo da última semana.
Manifestantes que exigem a renúncia de Rama incendiaram prédios públicos e agências bancárias, quebraram vitrines de lojas e arrancaram pedras do calçamento para arremessar contra a polícia.
A violência voltou a eclodir neste domingo, quando milhares de pessoas se reuniram em frente ao Ministério da Educação e lançaram pedras contra a tropa de choque, que respondeu com gás lacrimogêneo, jatos d’água e balas de borracha.
A onda de agitação — que sucede meses de protestos majoritariamente pacíficos ocorridos durante o verão contra um empreendimento de luxo no litoral, apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump — representa o maior desafio enfrentado até agora por Rama. Ele governa o país desde 2013 e, no ano passado, conquistou seu quarto mandato.
“Não sou eu quem está sendo desafiado, nem o governo, nem a maioria governista ou o partido vencedor das eleições; o que está em xeque é um caminho, uma missão”, declarou Rama em uma transmissão ao vivo pelo Facebook.
“Os albaneses precisam refletir com clareza: o que eles querem? Querem isso, querem aquilo, ou querem a União Europeia?”
UE condena atos de violência
Rama convidou os estudantes para um diálogo, enquanto, no domingo — antes do início dos protestos —, escavadeiras removiam as pedras do calçamento em frente ao seu gabinete, no centro de Tirana.
“Isso, de forma alguma, vai deter os manifestantes. O objetivo é apenas eliminar qualquer possibilidade de proteção para os manifestantes contra a polícia. É só isso”, afirmou Elton Prendi, de 40 anos, morador de Tirana.
A Comissão Europeia condenou o uso de violência em Tirana e em outras cidades, ao mesmo tempo em que saudou o compromisso das autoridades em proteger o direito da população de protestar.
Segundo a chancelaria austríaca, Rama cancelou uma reunião que estava agendada para segunda-feira, em Viena, com o chanceler austríaco Christian Stocker. Escândalos de corrupção mancharam a imagem da Albânia ao longo dos anos, e analistas afirmam que o país é um centro para grupos criminosos que buscam lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de armas.
No entanto, Rama declarou que seu governo está combatendo a corrupção como nunca antes. Ao lado de Montenegro, a Albânia lidera atualmente o grupo de países dos Bálcãs que buscam ingressar na União Europeia, com a meta de concretizar a adesão até 2030.
Rama atribuiu os protestos — bem como o que ele descreveu como uma tentativa de ataque com drone ao seu gabinete, ocorrida esta semana — a interesses estrangeiros não especificados.
“Deus sabe quais serão as consequências. Não há jovens, estudantes ou menores de idade que sequer pensariam em executar um plano como este. Trata-se de uma interferência estrangeira”, afirmou.
A polícia informou que 388 pessoas foram acusadas de crimes durante as manifestações. Dezenas de policiais e manifestantes ficaram feridos.

