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O estado que pode pôr em risco o plano democrata de controlar o Senado

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
O estado que pode pôr em risco o plano democrata de controlar o Senado

Uma vaga em aberto no Senado em Minnesota.

Uma vantagem expressiva do Partido Republicano em termos de gastos em praticamente todos os estados decisivos.

Uma persistente sensação de inquietação de que as pesquisas de intenção de voto podem estar subestimando o apoio aos republicanos.

Embora muitos Democratas estejam transbordando de otimismo, esses são apenas alguns dos possíveis obstáculos que o partido enfrenta em sua tentativa de corresponder às expectativas de reformular a ordem política em Washington.

Mais de uma dúzia de gerentes de campanha, estrategistas e dirigentes do Partido Democrata disseram à CNN que a enorme disparidade de gastos em relação às forças republicanas é sua maior preocupação nestas duas semanas finais de campanha.

Embora os Democratas, em quase todas as disputas decisivas para o Senado, tenham arrecadado muito mais recursos do que seus rivais — como mostram os novos relatórios de financiamento de campanha —, um fluxo intenso de verbas provenientes de grupos externos alinhados ao Partido Republicano anula essa vantagem.

Com os Democratas em uma posição sólida para conquistar a Câmara dos Representantes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os republicanos estão trabalhando para criar uma barreira de proteção em estados de maioria republicana — locais que se tornaram um campo de batalha improvável na luta pelo controle do Senado.

Os candidatos Democratas precisam conquistar, ao menos em parte, o apoio de eleitores independentes e Republicanos, incluindo aqueles que duvidam que seus votos possam contribuir para uma maioria democrata no Senado.

O clima político hostil deixou praticamente nenhum candidato republicano imune a um desafio eleitoral contundente.

Ao mesmo tempo, os democratas reconhecem que não há margem para erros, já que precisam conquistar quatro cadeiras no Senado sem perder nenhuma das que detêm atualmente.

“Todos os indicadores objetivos são favoráveis ​​aos Democratas”, afirmou David Axelrod, estrategista de longa data e principal analista político da CNN. “Mas, como já sofreram derrotas no passado e diante da enxurrada de recursos sendo gastos contra eles, é natural que surja um instinto cauteloso de moderar as expectativas.”

Uma surpresa vinda de Minnesota?

Minnesota é frequentemente visto como o estado “azul” mais “vermelho” dos Estados Unidos — o que o coloca no topo da lista de locais monitorados de perto pelos Democratas, onde podem surgir sinais de problemas caso uma “onda azul” não se concretize.

A disputa para substituir a senadora Tina Smith, que está se aposentando, tem passado, em grande parte, despercebida — especialmente se comparada à lista, inesperadamente longa, de pleitos acirrados em outros estados do Centro-Oeste.

A disputa entre a vice-governadora Peggy Flanagan, democrata, e a ex-apresentadora esportiva Michele Tafoya, republicana, está “apertada demais para o conforto”, afirmou à CNN um representante do Partido Democrata no estado.

As duas devem participar, nesta sexta-feira (16), daquele que será o único debate previsto entre elas.

Desde que a campanha para as eleições gerais começou para valer neste outono, Tafoya tem se esforçado deliberadamente para se distanciar de Trump e da imagem do Partido Republicano, reconhecendo a realidade política de um estado que, nos últimos 20 anos, não elegeu nenhum republicano para um cargo de abrangência estadual.

“Sou uma republicana a favor do direito de escolha. Não tenho medo de enfrentar o meu partido”, disse ela em um anúncio divulgado na semana passada, dirigindo-se diretamente a eleitores independentes e republicanos moderados. “Quando Trump estiver certo, trabalharei com ele. Quando ele estiver errado, defenderei Minnesota.”

O presidente manifestou-se sobre a disputa durante um comício realizado esta semana em Ohio, declarando: “Vocês precisam votar em Michele Tafoya”.

Questionada sobre o assunto no dia seguinte, Tafoya tornou-se uma das poucas republicanas a minimizar o aval do presidente.

“Ouvi falar disso”, disse Tafoya aos repórteres. “Veja bem, esta campanha tem como objetivo unir todos os habitantes de Minnesota, independentemente de terem votado no presidente Trump ou em Kamala Harris.”

Trump perdeu o estado por uma margem de menos de 2 pontos percentuais em 2016 e de cerca de 4 pontos percentuais em 2024.

Em outro anúncio, veiculado na reta final da disputa, Tafoya incentiva os eleitores de Minnesota a experimentarem algo diferente.

“Minnesota tem sido governada pela mesma fundação política há tempo demais, e isso não está funcionando. Não se trata de ‘vermelho’ contra ‘azul’. Trata-se de certo contra errado”, diz ela no anúncio. “Serei uma voz independente por Minnesota, porque não precisamos de mais políticos de sempre apresentando as mesmas desculpas.”

Tafoya, contudo, tem feito apelos calculados aos eleitores conservadores, criticando enfaticamente o escândalo de fraude em programas de assistência social no estado, ao mesmo tempo em que tira proveito de seu alto nível de reconhecimento — incomum para a política —, fruto de sua trajetória como repórter de campo na NFL e apresentadora de rádio local.

“Passei 30 anos cobrindo futebol americano e aprendi uma coisa: quando você fracassa de forma tão grave, você é demitido. Centenas de milhões roubados; dinheiro que deveria alimentar crianças com fome, perdido”, diz ela em seu anúncio de maior veiculação desde setembro, exibido mais de 660 vezes no importante mercado midiático de Minneapolis-St. Paul.

Escândalo de fraude em programas de assistência social ganha grandes proporções

a vice-governadora Peggy Flanagan atuou ao lado do governador Tim Walz, que, no início deste ano, desistiu de seus planos de buscar um terceiro mandato em meio ao crescente escândalo de fraude em programas de assistência social em seu estado.

“Se Amy Klobuchar não estivesse liderando a chapa como candidata a governadora, esta disputa para o Senado poderia ser um dos nossos maiores problemas no cenário eleitoral”, disse à CNN um importante democrata do estado.

Flanagan obteve o apoio do senador Bernie Sanders e de outros líderes progressistas, vencendo as primárias contra uma adversária mais moderada, a deputada Angie Craig.

Para superar as controvérsias de seu período como vice-governadora do estado, Flanagan tem se empenhado em associar Tafoya ao presidente, expondo-a, assim, às dificuldades que os republicanos enfrentam em outras partes do país nestas eleições de meio de mandato.

Em um anúncio veiculado mais de mil vezes desde o início do mês passado, Flanagan argumenta que “minha oponente, Michele Tafoya, apoia totalmente a ‘guerra sem fim’ de Trump e esses preços absurdos da gasolina”.

Ela também critica duramente Tafoya por uma gafe cometida em março, quando a republicana sugeriu aos habitantes de Minnesota que, para lidar com os custos elevados, deveriam manter a resiliência e, “talvez, deixar de ir ao Starbucks uma vez ou outra”.

“Michele Tafoya talvez não entenda pelo que você está passando, mas eu entendo”, diz Flanagan no anúncio.

Outro anúncio de destaque de Flanagan reforça a ideia: “Ela é a repórter de campo que se tornou uma entusiasta de Trump”.

Desde as primárias de 11 de agosto, os republicanos gastaram, por uma margem muito pequena, um pouco mais que os democratas na disputa pelo Senado em Minnesota — cerca de US$ 3,42 milhões (aproximadamente R$ 17,4 milhões) contra US$ 3,41 milhões (cerca de 17,3 milhões).

Grupos externos, em grande parte, mantiveram-se afastados do estado, concentrando seus gastos em outras disputas importantes no Texas, Ohio, Iowa e Michigan.

Uma preocupação manifestada pelos democratas diz respeito à arrecadação de fundos de Flanagan.

Isso ficou comprovado nos relatórios de arrecadação do terceiro trimestre, referentes aos comitês de campanha, apresentados esta semana.

Tafoya superou Flanagan na arrecadação durante o trimestre — US$ 4,9 milhões (cerca de R$ 24,9 milhões) contra US$ 4,3 milhões (aproximadamente R$ 21,8 milhões).

A candidata republicana iniciou o mês de outubro, e as semanas finais decisivas, com uma vantagem em caixa: US$ 2,1 milhões (R$ 10,6 milhões) contra US$ 1,5 milhão (R$ 7,6 milhões).

O cenário contrasta fortemente com o desempenho dos Democratas em disputas eleitorais acirradas de alto nível.

Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff havia arrecadado, até o final de junho, dez vezes mais do que seu adversário republicano, o deputado Mike Collins; na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper arrecadou três vezes mais do que Michael Whatley, ex-presidente do RNC (Comitê Nacional Republicano).

Ainda não há sinais de que o Partido Democrata em nível nacional esteja destinando recursos a Minnesota como uma medida de precaução, dada a extensão do campo de batalha eleitoral para o Senado em outras regiões.

Flanagan responde por US$ 1,4 milhão dos US$ 1,8 milhão reservados pelos democratas para veiculação de anúncios nas três semanas finais.

Nesse mesmo período de três semanas, grupos externos ligados aos democratas estão investindo mais de US$ 24 milhões em Iowa (R$ 122,2 milhões), mais de US$ 7 milhões (R$ 35,6 milhões) no Kansas e mais de US$ 2 milhões (R$ 10,1 milhões) na Carolina do Sul — três estados tradicionalmente republicanos, nos quais Trump venceu com folga em 2024.

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