Elizabeth Holmes, fundadora da extinta startup de saúde Theranos, cumpre atualmente uma pena de 11 anos e 3 meses em uma penitenciária federal de segurança mínima em Bryan, no Texas. Ela começou a cumprir a sentença em maio de 2023, após ser considerada culpada por um júri na Califórnia, em janeiro de 2022, por quatro acusações de fraude eletrônica e conspiração contra investidores. A empresária e o ex-executivo da empresa, Ramesh “Sunny” Balwani, captaram mais de US$ 700 milhões mentindo sobre as finanças e o desempenho da tecnologia.
A Theranos, criada por Holmes em 2003 após abandonar a Universidade de Stanford, prometia revolucionar a medicina com o dispositivo “Edison“, afirmando realizar centenas de testes médicos com apenas algumas gotas de sangue. Contudo, uma reportagem investigativa do The Wall Street Journal em 2015 revelou que a tecnologia não funcionava, fornecendo resultados imprecisos a pacientes e utilizando máquinas de terceiros para realizar exames. Em 2018, após o encerramento de parcerias e apurações da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a executiva foi indiciada.
Fraude bilionária e queda da startup
A promessa de exames baratos e menos invasivos elevou a Theranos a uma avaliação de US$ 9 bilhões em 2014, garantindo a Holmes um patrimônio estimado em US$ 4,5 bilhões. Entre os investidores enganados pelas alegações falsas da dupla estavam nomes como o magnata da mídia Rupert Murdoch, a ex-secretária de Educação Betsy DeVos e o cofundador da Oracle, Larry Ellison.
Após o escândalo vir à tona, a empresária renunciou ao cargo de CEO em 2018. Durante o processo judicial, cujo julgamento criminal foi adiado até o final de 2021, Holmes deu à luz seu primeiro filho, William, em julho daquele ano. Embora o júri a tenha absolvido das acusações relativas a fraudar pacientes, a condenação pela fraude aos investidores resultou na pena de prisão e no pagamento de indenizações.
Recursos negados e registros em documentário
Em novembro de 2022, a sentença de 135 meses de prisão federal e três anos de liberdade condicional supervisionada foi decretada. Holmes recorreu do veredicto em um documento de 132 páginas alegando falta de intenção de enganar os investidores e pedindo liberação até a análise final, período em que teve sua segunda filha, Invicta. A Justiça negou tanto o recurso quanto o pedido de liberdade.
Nos últimos 34 dias que antecederam sua prisão, a ex-executiva permitiu que os cineastas Nathan Fielder e Lance Oppenheim registrassem sua rotina. O material deu origem ao documentário You Can See Everything, que estreou nos cinemas no dia 16 de outubro nos Estados Unidos e no Canadá. A trajetória do escândalo também foi retratada anteriormente no livro Bad Blood e na minissérie The Dropout.
Vida na prisão e plano de libertação
Na penitenciária de Bryan, no Texas, onde cumpre pena por crimes não violentos, a empresária trabalha como assistente de reintegração social e assistente jurídica, recebendo 31 centavos de dólar por hora para orientar outras detentas. Com a redução de dois anos na pena por bom comportamento, sua libertação definitiva está prevista para fevereiro de 2030, mantendo visitas semanais da família, que reside próximo ao local.
Para a etapa final do cumprimento da pena sob custódia federal, Holmes teve sua transferência aprovada para o Centro de Transição Austin, em Del Valle, Texas, prevista para agosto de 2027. No local, que funciona como um centro residencial de reinserção supervisionado, ela poderá trabalhar externamente e receber visitas familiares sem pernoite, preparando-se para o término do regime prisional.
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