Você costuma coçar os olhos e sente dor quando coça? De acordo com os médicos especialistas, essa reação pode ser o avanço de doenças oculares crônicas. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que, dos aproximadamente 2,2 bilhões de casos de deficiência visual, pelo menos um bilhão dos casos podem ter sido evitados ou tratados.
Doenças oculares como o glaucoma, retinopatia diabética e NOIA (neuropatia óptica isquêmica anterior) podem causar perda visual irreversível, muitas vezes sem sintomas iniciais. Nem sempre é possível evitar o aparecimento dessas doenças, mas é possível evitar que elas tirem a visão total do paciente.
Os tratamentos simples como o uso de colírios, lasers, injeções intra-oculares e cirurgias podem preservar a visão, mas não devolvem ela quando perdida. A perda parcial ou total da visão e manchas ou sombras no campo de visão necessitam de avaliação oftalmológica.
Segundo o oftalmologista do HOC (Hospital dos Olhos de Cuiabá), Antônio Sardinha, o cuidado mais importante nesses casos é o diagnóstico precoce, com a realização de consultas de rotina a partir dos 40 anos ou até mesmo antes, para aqueles que possuem histórico familiar.
“Quem tem diabetes tipo 2 deve fazer o exame de fundo de olho já no diagnóstico e repeti-lo pelo menos uma vez por ano. No tipo 1, o acompanhamento começa cerca de cinco anos após o diagnóstico. Controlar glicemia, pressão e colesterol, não fumar e tratar a apneia do sono protegem diretamente os vasos e o nervo dos olhos. Também é essencial não usar colírios por conta própria, especialmente os que contém corticoide”, afirma Antônio Sardinha.
Quem corre risco?
Entre as doenças mais comuns, está o glaucoma, que o especialista do HOC aponta como principais grupos de risco são pessoas acima dos 40 anos, com histórico familiar, ascendência africana, miopia alta e que fazem uso prolongado de colírios ou remédios com corticoide e traumas oculares.
Já na retinopatia diabética, o médico relata que o tempo de diabetes, o controle ruim da glicemia, a hipertensão, o colesterol alto, a doença renal e o tabagismo estão entre fatores correspondentes à pessoas com maior risco de doenças oculares.
Já na Noia (neuropatia óptica isquêmica anterior), Antônio Sardinha explica que, estão mais propensas às doenças, pessoas com hipertensão, diabetes, apneia do sono, queda da pressão arterial durante a noite e uma característica anatômica do próprio olho, o nervo óptico pequeno e “apertado”.
Como tratar?
As doenças oculares nem sempre podem ser evitadas, mas podem ser tratadas para evitar a perda total da visão.
A oftalmologista do CBV – Hospital de Olhos, Nubia Vanessa Lima, explica que “a consulta oftalmológica é uma das principais medidas para prevenir complicações, detectar doenças precocemente e acompanhar a saúde ocular, mesmo quando não há sintomas.”
Quando se trata de pacientes com diabetes, o exame recorrente do fundo do olho é importante para a identificação de alterações na retina antes que compormetam muito a visão do paciente.
No caso do glaucoma, é necessário realizar o uso correto de colírios prescritos pelo médico especialista e realizar exames de acompanhamento para controlar a doença.
*Sob supervisão de Thiago Félix
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