Cuba acusou os EUA nesta sexta-feira (16) de utilizarem as instalações da ONU para promover uma agenda política contra Havana, poucos dias antes de a Organização das Nações Unidas realizar sua votação anual sobre uma resolução que pede o fim do embargo norte-americano à ilha.
Em pronunciamento nas Nações Unidas, o embaixador de Cuba junto à ONU, Ernesto Soberon, denunciou um evento organizado pelos EUA — agendado para 19 de outubro na sede da ONU, sob o título “Cuba Libre, a Opressão, Havana Heights” — classificando-o como uma iniciativa de motivação política voltada contra Cuba.
“Denunciamos este evento nos termos mais veementes possíveis”, afirmou Soberon.
Ele declarou que o “objetivo claro” do evento é atacar Cuba, promover uma narrativa hostil contra o país e utilizar as instalações das Nações Unidas para avançar uma agenda política do governo dos EUA contra um Estado-membro soberano.
As declarações ocorreram antes do debate anual da Assembleia Geral da ONU, marcado para os dias 27 e 28 de outubro, sobre uma resolução apresentada por Cuba que defende o fim do embargo norte-americano, em vigor há décadas.
Soberon instou os Estados-membros da ONU a apoiarem a resolução e voltou a criticar a política de sanções de Washington em relação à ilha.
“Cuba não será intimidada, chantageada ou silenciada”, disse ele.
“A questão que se coloca à comunidade internacional é clara. Os Estados Unidos devem parar de atacar Cuba e atender à demanda reiterada da comunidade internacional pelo fim de seu bloqueio ilegal e desumano“, afirmou.
Soberon argumentou que o impacto do embargo norte-americano sobre Cuba atingiu “um nível sem precedentes” este ano e afirmou: “Cuba não é uma ameaça. O bloqueio, sim.”
Há décadas, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova, por ampla maioria, resoluções — que não possuem caráter vinculativo — solicitando que os Estados Unidos ponham fim ao embargo contra Cuba; contudo, Washington tem mantido o regime de sanções.
Apagão e bloqueio de petróleo: O que está acontecendo em Cuba?

