O mercado brasileiro passa por um período de ressaca após o clima de euforia visto na semana passada, quando o Ibovespa renovou recordes, o dólar voltou para baixo de R$ 5 e os juros futuros recuaram ao longo de toda a curva.
Os números dos últimos dias mostram um quadro diferente. A bolsa brasileira fechou no negativo nas três últimas sessões e caminha para encerrar a semana com o pior resultado desde agosto. Já a divisa dos EUA voltou ao patamar próximo de R$ 5,10 e os contratos de DIs apagaram grande parte da queda observada no pós-primeiro turno.
A água no chopp dos investidores veio com os números mais recentes das pesquisas eleitorais, mostrando que a disputa à Presidência da República ainda segue bastante acirrada, com cenários sinalizando um empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Analistas ouvidos pelo CNN Money afirmam que o mercado voltou a fazer as contas sobre os resultados do pleito, principalmente após as mobilizações em apoio ao presidente Lula no final de semana e a sequência de ações que aumentam o “pacote de bondades” do governo federal para reverter o resultado do primeiro turno.
O racional do mercado é que uma vitória do senador deve mudar os rumos da política fiscal do governo federal, sobretudo com a vitória majoritária do PL e aliados no Congresso Nacional, explica Eduardo Velho, economista-chefe e sócio da Bravonte Capital.
“Como a candidatura de Flávio é considerada pelo mercado a mais propensa a fazer um ajuste fiscal crível e implementar reformas estruturais, e considerando que o mercado já tinha precificado uma probabilidade superior a 60% de sua vitória no segundo turno, é natural o ajuste para baixo dessas apostas”, diz.
Disputa mais apertada
O dólar e os juros futuros seguiram o caminho inverso, mostrando altas firmes ao longo das sessões. Na véspera, a divisa dos EUA fechou a R$ 5,08, chegando a se aproximar de R$ 5,10 nas máximas da sessão.
A mudança no humor acompanha os dados das pesquisas eleitorais.
Com margem de erro de dois pontos para cima ou para baixo, o cenário mostra um empate técnico entre os concorrentes.
A mesma tendência já havia aparecido nos dados da Quaest, com o senador somando 46% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto. Já o presidente Lula apareceu com 44% da preferência do eleitorado.
Fim da 6×1 e pacote de bondades
A proposta encampada pelo governo federal passou pela Casa Alta com um placar de 75 a 1 e agora espera pela promulgação.
O candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), chegou a se posicionar contra o projeto e defendeu uma proposta que determinava o pagamento por hora para os trabalhadores, autorizando a redução de salários. Depois, porém, o congressista mudou a postura e passou a dizer que votaria a favor do texto.
Além do impacto para o caixa das empresas, o resultado foi avaliado como uma vitória do governo e pode influenciar na balança na disputa pelos votos a pouco menos de duas semanas para a decisão.
“As pessoas enxergam que um cenário para presidente não está liquidado ainda”, resume Paulo Duarte, economista-chefe da Valor Investimentos.
A aprovação do fim da 6×1 se soma a outras medidas encampadas pela gestão petista na reta final da campanha. Somente nas últimas semanas, o governo anunciou o aumento do Bolsa Família, o fim das bets e novas medidas para MEIs (Microempreendedores individuais).
Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, reforça que o governo ainda tem prazo para novas medidas antes da decisão do segundo turno, no próximo dia 25.
“Temos duas semanas ainda que o governo vai usar a caneta para fechar o gap nas urnas”, diz.

