Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizam movimentos estratégicos de ajuste de discurso na reta final da campanha presidencial, segundo avaliação do analista de Política da CNN Teo Cury, ao CNN Novo Dia.
Após resistir à proposta, Flávio votou a favor do fim da escala 6×1 no Senado. Já Lula passou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos — posição historicamente contrária à do Partido dos Trabalhadores.
Mudanças de posição marcam a reta final da campanha
Segundo Teo Cury, as mudanças de posicionamento dos dois candidatos refletem as dificuldades que ambos enfrentam nas urnas.
“Os dois veem um momento de dificuldade nas urnas, por mais que o Flávio Bolsonaro tenha vantagem com relação ao presidente da República, mas todos notam que é uma eleição extremamente polarizada, uma eleição muito apertada”, afirmou Teo Cury. Os institutos de pesquisa, segundo o analista, têm deixado isso claro no segundo turno.
No caso de Flávio, o analista destacou que o candidato chegou a chamar de “oportunismo eleitoral” e “hipocrisia” a discussão sobre o fim da escala 6×1, dizendo que não era o momento adequado para o debate. Ainda assim, acabou votando a favor da proposta, sinalizando que pode alterar a medida caso seja eleito.
Já a campanha de Lula, por sua vez, propôs uma emenda para alterar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre segurança pública, sinalizando abertura ao debate sobre a maioridade penal.
Lula altera posição histórica do PT sobre maioridade penal
A mudança de Lula em relação à maioridade penal foi amplamente notada por aliados e adversários. “O presidente Lula altera o entendimento no Partido dos Trabalhadores a respeito desse assunto e altera o entendimento dele próprio”, analisou Teo Cury.
Especialistas em segurança pública alertam que a redução da maioridade penal pode aumentar o número de prisões de jovens e abastecer o crime organizado e as facções criminosas dentro dos presídios — receio que, segundo o analista, independe de posicionamento partidário.
Disputa de mobilização nas ruas e preparação para debate
Além dos ajustes de discurso, as campanhas também disputam mobilização popular. Uma grande manifestação de apoiadores de Lula ocorreu na Avenida Paulista e em outras cidades como Rio de Janeiro e Brasília — movimento incomum para a esquerda, segundo Teo Cury.
“Normalmente, quem estava lotando a Avenida Paulista eram os eleitores de direita, não os de esquerda”, observou o analista. Em resposta, Flávio Bolsonaro convocou uma manifestação para o domingo (18) seguinte.
A campanha de Flávio, segundo Teo Cury, admitiu que havia “jogado parada” e passou a se preocupar com uma possível desmobilização de seus eleitores diante do avanço da campanha adversária nas ruas e nas redes sociais.

