Com a intensificação do Super El Niño em 2026, o Governo de São Paulo anunciou, nesta quarta-feira (14), um conjunto de medidas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
As medidas foram apresentadas durante reunião no Palácio dos Bandeirantes, que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas, das secretarias de Estado, órgãos vinculados e instituições que integram o Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil (SIEPDEC).
A primeira estratégia reúne 181 iniciativas integradas do PEARC (Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas), com investimentos de R$ 29 bilhões.
Outro reforço divulgado é a “São Paulo Sempre Alerta – Operação El Niño 2026/2027”, que substitui a tradicional Operação Chuvas. A diferença é que o monitoramento deixa de ser sazonal e passa a funcionar até o final de 2027.
Nessa ação, que começa ainda em outubro, é criado um Gabinete Especial para coordenar as ações, estabelecer níveis de alerta para os municípios e emitir boletins diários, com o objetivo de orientar o poder público diante dos riscos de tempestades e ondas de calor.
O Gabinete Especial reunirá representantes do Governo, concessionárias de água, energia e gás, polícias e Bombeiros.
Com base no monitoramento diário, as regiões do estado serão classificadas em quatro níveis operacionais, conforme a gravidade do cenário e a necessidade de preparação, mobilização e resposta integrada:
- Verde (observação);
- Amarelo (atenção);
- Laranja (alerta);
- Vermelho (emergência).
Serão produzidos boletins diários pelo Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil, que deve incluir a previsão meteorológica e a classificação de riscos de cada uma das regionais, com visibilidade de três dias para facilitar o acompanhamento e providências das defesas civis municipais.
Em situações de risco imediato, além da adoção de ações emergenciais, serão emitidos avisos e alertas específicos para a população.
O Painel de Inteligência SP Sempre Alerta, da Defesa Civil, deve ganhar novas funcionalidades e passar a contar com dados do sistema Earth Networks.
Esse sistema pode indicar a direção de deslocamento das chuvas e estimar o tempo aproximado para que cheguem aos municípios vizinhos.
Também foram anunciadas ações para preparar o setor da Saúde para a chegada do El Niño.
Entre as principais preocupações estão doenças transmitidas por vetores, como dengue, chikungunya, Zika e febre amarela, e as doenças relacionadas à contaminação da água, incluindo leptospirose, hepatite A e doenças diarreicas agudas.
O reforço na rede pública de saúde contará com vigilância epidemiológica 24 horas, reforço de medicamentos e vacinas e o uso da telessaúde, especialmente em áreas afetadas por temporais ou ondas de calor.
Investimentos
O Governo de São Paulo afirma que destinará um total de R$ 29 bilhões em investimentos estratégicos de resiliência e adaptação climática, com ações previstas até 2029 e 2030. Esse montante financeiro está distribuído nas seguintes frentes:
- Contenção de cheias e drenagem:
- R$ 9,5 bilhões: Parceria Público-Privada (PPP) para desassoreamento contínuo, limpeza e manutenção de 182,9 km do Rio Tietê e 27,6 km do Rio Pinheiros.
- R$ 1,7 bilhão: Desassoreamento de rios e córregos via programas IntegraTietê e Rios Vivos.
- R$ 1 bilhão: Construção de piscinões e reservatórios pela SP Águas.
- R$ 464,5 milhões: Obras de saneamento, drenagem e gestão hídrica via Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro).
- Segurança hídrica e saneamento:
- R$ 9 bilhões: Investimentos da Sabesp para modernização dos sistemas, aumento da disponibilidade de água e redução de perdas até 2030.
- R$ 1,9 bilhão: PPP do Sistema Adutor Regional PCJ.
- R$ 1,7 bilhão: Construção das barragens de Pedreira e Duas Pontes.
- Habitação e infraestrutura social:
- R$ 2,76 bilhões: Reassentamento de famílias em áreas de risco e redução da vulnerabilidade social.
- Prevenção, monitoramento e resposta:
- R$ 642 milhões: Estruturação do CGE, do CePRAM e financiamento de ações de alerta, prevenção e resposta a emergências.
- R$ 400 milhões: Operação SP Sem Fogo (combate a incêndios florestais).
- R$ 181 milhões: Ações de restauração ambiental e fiscalização.
- Agropecuária:
- R$ 376 milhões: Apoio a produtores rurais, seguro rural, máquinas e equipamentos para enfrentamento de eventos climáticos extremados.

