A PF (Polícia Federal) prendeu, na manhã desta quinta-feira (15), o delegado e ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Vinicius Amim Fernandes, suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Grande Rio de Janeiro.
A prisão ocorreu no âmbito da oitava fase da Operação Unha e Carne, que cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
Além de Amim, foram presos o deputado eleito Márcio Canella (União Brasil), os agentes da Polícia Civil carioca Pablo Jukia Felix Ferreira, o “Pablo Russo”, Giovanni Gaspar Fernandes e José Carlos Alves de Souza Júnior; e o secretário municipal de ordem pública de Belford Roxo, Christiano Gaspar Fernandes.
Carreira na polícia
Após se formar em direito pela UFF (Universidade Federal Fluminense), Marcus Amim ingressou na Polícia Civil do Rio de Janeiro em 2002. Ao longo da trajetória, chefiou as unidades DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes) e a Desarme (Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos).
Em 2023, o delegado foi nomeado presidente do Detran-RJ e, meses depois, assumiu o comando da Polícia Civil por indicação do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL).
Amim permaneceu à frente da corporação por cerca de dez meses, até setembro de 2024. Posteriormente, coordenou o Departamento de Segurança da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), de onde foi exonerado em dezembro de 2025.
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Atuação em esquema de lavagem
Em julho de 2026, a PF deflagrou a sexta fase da Operação Unha e Carne, que teve como alvo de mandados de busca e apreensão o delegado Amim. Após a operação, ele passou a ser investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.
Segundo as investigações, Amim era um dos principais operadores institucionais do esquema e proporcionava, ainda, proteção administrativa e policial ao grupo criminoso. De acordo com a PF, em troca de proteção, o investigado recebia recursos por intermédio de empresas vinculadas a seus familiares.
As apurações apontaram que Marcus usava dos cargos de direção exercidos no Detran/RJ e, posteriormente na Secretaria de Polícia Civil, para conferir proteção às atividades ilícitas desenvolvidas pelo grupo.
Além disso, a PF identificou mensagens trocadas entre o delegado e Pablo Jukia Felix Ferreira, entre abril e julho de 2026, apontando um contato frequente entre os dois.
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Jukia é suspeito de ter integrado equipes comandadas por Amim em diversas delegacias e seria, segundo a corporação, o verdadeiro controlador de uma rede de postos de combustíveis com empresas ativas e inativas, utilizada para ocultar e lavar recursos ilícitos.
De acordo com a investigação, as conversas entre os homens envolveram documentos sobre veículos, imóveis, obras, alterações societárias e informações pessoais.
A investigação ainda cita manuscritos apreendidos durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne. Nos documentos, o nome “Amim” aparece entre os destinatários de valores relacionados a postos de combustíveis investigados, ao lado de outros integrantes do núcleo central da organização.
Para a PF, os registros reforçam os indícios de vínculo financeiro entre o investigado e o grupo.
Outro lado
Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou que participa da operação, em apoio à Polícia Federal, e não compactua com qualquer desvio de conduta. Veja:
“A Polícia Civil não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades.
A instituição mantém atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle, respeitando as atribuições de cada instituição, para garantir a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, quando cabível.”
A CNN Brasil entrou em contato também com a prefeitura de Belford Roxo e tenta contato com a defesa de todos os citados. O espaço segue aberto.

