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Moagem global de cacau deve superar 900 mil toneladas no 3º trimestre

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Moagem global de cacau deve superar 900 mil toneladas no 3º trimestre

A moagem global de cacau deve alcançar 906 mil toneladas no terceiro trimestre de 2026, considerando os dados já divulgados de Europa, Ásia, Costa do Marfim e Brasil, além da estimativa para a América do Norte, segundo relatório da consultoria StoneX. O volume representa alta de 15% em relação ao mesmo período de 2025 e iguala o resultado de 2024.

A estimativa supera as expectativas do mercado, que projetava um processamento entre 805 mil e 875 mil toneladas no período. Com o resultado, a moagem nas principais regiões acompanhadas pela consultoria volta a se aproximar de seu padrão histórico, após a retração observada em 2025.

Na Europa, o processamento somou 348,2 mil toneladas, acima das projeções de 319 mil a 337 mil toneladas. Foi a primeira alta anual da moagem na região desde o segundo trimestre de 2024.

Na Ásia, o volume chegou a 233,8 mil toneladas, também acima das expectativas, que variavam de 207 mil a 229 mil toneladas. O resultado foi o maior para um terceiro trimestre na série da CAA (Associação de Cacau da Ásia).

Juntas, Ásia e Costa do Marfim responderam por 84% do aumento anual da moagem global. Segundo a StoneX, parte do avanço pode estar relacionada à recomposição dos estoques das processadoras, que aproveitaram a maior disponibilidade de amêndoas e os preços mais baixos registrados no início do ano.

A consultoria ressalta, porém, que ainda não há sinais claros de aumento da demanda por derivados, como manteiga e líquor de cacau. A continuidade da recuperação do processamento dependerá do comportamento dos preços e do consumo desses produtos.

Costa do Marfim

Na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, a moagem alcançou 157,4 mil toneladas no terceiro trimestre, alta de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O volume ficou dentro da faixa esperada pelo mercado, de 146 mil a 162 mil toneladas.

Em setembro, o processamento chegou a 49,5 mil toneladas, avanço anual de 46,6%. Em julho e agosto, as altas foram de 53% e 21%, respectivamente.

Apesar da recuperação, o volume trimestral ainda ficou cerca de 4% abaixo da média dos quatro anos anteriores e 9% inferior ao registrado em 2024. O relatório atribui parte do crescimento à base de comparação reduzida e aponta que a retomada ainda não está completa.

Considerando a safra 2025/26, encerrada em setembro, a moagem no país totalizou 650,7 mil toneladas, aumento de 10,6% em relação ao ciclo anterior. Para a StoneX, o resultado indica que a maior disponibilidade de amêndoas na origem começa a se refletir no processamento industrial.

Moagem no Brasil

No Brasil, a moagem de cacau somou 53,7 mil toneladas no terceiro trimestre, alta de 16,4% na comparação anual. O volume ficou no limite superior da faixa projetada pelo mercado, de 46 mil a 55 mil toneladas, com apoio das exportações de derivados.

Apesar do crescimento, o processamento permaneceu 3% abaixo do registrado no terceiro trimestre de 2024 e cerca de 10% inferior à média dos três anos anteriores.

As entregas de amêndoas às indústrias brasileiras totalizaram 71,7 mil toneladas no período, o maior volume para um terceiro trimestre desde o início da série da AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau), em 2023.

No ciclo de outubro de 2025 a setembro de 2026, as entregas alcançaram 226,5 mil toneladas, alta de 25%.

“O Brasil costuma importar amêndoas para abastecer suas moageiras, mas não houve importação pelo segundo trimestre seguido. Com mais oferta doméstica do que a indústria consegue processar, os diferenciais pagos ao produtor tendem a ficar pressionados. A conversão dessa oferta em moagem depende de demanda mais firme por derivados”, disse o analista de mercado Lucca Bezzon. 

América do Norte

A consolidação dos números globais depende da divulgação dos dados da América do Norte pela NCA (Associação Nacional de Confeiteiros dos Estados Unidos), prevista para o fim da tarde desta quinta-feira (15).

A StoneX estima que a região tenha processado 113 mil toneladas no terceiro trimestre, praticamente estável em relação às 112,8 mil toneladas registradas um ano antes. As expectativas do mercado variam de 108 mil a 118 mil toneladas.

Mesmo no limite inferior dessa faixa, a moagem conjunta das cinco regiões acompanhadas pela consultoria superaria 900 mil toneladas no trimestre.

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