A inteligência artificial já faz parte da rotina de empresas brasileiras, sendo aplicada em tarefas simples e em processos complexos. No entanto, o Brasil ainda enfrenta um desafio significativo: sair do uso esporádico da tecnologia e incorporá-la de fato aos negócios.
O tema foi debatido no evento Universo TOTVS 26, realizado em São Paulo, com a participação de empresas e especialistas do setor.
De acordo com dados levantados pelo MIT e TOTVS, mais de 90% das empresas brasileiras que testam inteligência artificial ainda não incorporam a tecnologia ao seu modelo de negócios.
Especialistas apontam que um dos principais equívocos das organizações é adotar a IA sem uma justificativa clara, invertendo a lógica que deveria orientar sua implementação.
Problema antes da solução tecnológica
Para Marcelo Cosentino, VP de negócios da TOTVS, o caminho correto é identificar primeiro o problema a ser resolvido e, somente depois, avaliar qual tecnologia pode auxiliar nesse processo.
“O segredo é você achar um problema de negócio, depois você pensar como você vai usar. Pode ser IA, pode ser um ERP, pode ser um CRM, pode ser um e-mail, pode ser qualquer coisa. E não você inverter a ordem. A tecnologia não pode editar o negócio, ela tem que fazer parte do seu negócio”, afirmou.
Apesar do desafio de escalar a tecnologia para além da fase de testes, o Brasil não estaria atrasado em relação a outros países, segundo Fábio Ferreira, CEO da Verde Campo.
“Eu acho que o Brasil está protagonizando nessa arena e avançando gradativamente. Não estamos tão na frente, mas também não estamos tão atrasados. Acho que é dar orgulho de ser brasileiro e ver que isso está na nossa agenda executiva”, declarou.
Reforma tributária como obstáculo no horizonte
Além dos desafios ligados à adoção da inteligência artificial, as empresas do setor de tecnologia também precisam se preparar para as mudanças impostas pela reforma tributária brasileira.
A reforma prevê a extinção gradual, a partir de 2027, do atual sistema de impostos, substituindo-o por apenas dois tributos.
Rodrigo Sartório, diretor de Produtos da TOTVS, avaliou que, embora a reforma seja benéfica no longo prazo, o período de transição representa um momento desafiador para o setor.
“A reforma vai ser muito benéfica lá na frente, mas o período de transição da convivência do velho com o novo é que está sendo desafiador. Para os empresários, está piorando antes de melhorar. E a gente está acompanhando isso muito de perto, junto ao governo, implementando as alterações no sistema para que dê tudo certo”, disse.

