Uma guerra prolongada no Oriente Médio e novas interrupções na produção de energia, nas rotas marítimas ou em infraestruturas essenciais representam os maiores riscos para as economias do Oriente Médio e da Ásia Central, afirmou nesta quinta-feira (15) o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Jihad Azour, diretor do FMI para o Oriente Médio e a Ásia Central, disse a jornalistas que a guerra impõe um choque econômico bastante desigual à região como um todo, com os países diretamente afetados sob forte pressão.
“As perspectivas dependem fundamentalmente da rapidez com que a produção de energia e o comércio se normalizem, bem como da capacidade dos países de preservar a estabilidade macroeconômica”, afirmou Azour em entrevista coletiva durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangkok. O FMI divulgará uma avaliação mais abrangente das perspectivas para a região em 22 de outubro.
Os superávits anteriores à guerra, as rotas alternativas, os ajustes na demanda e a redução substancial dos estoques ajudaram a conter o impacto do choque energético provocado pelos ataques liderados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã e pelo posterior fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã.
“Essas reservas de segurança ganharam tempo, mas são finitas. Os estoques estão menores, a capacidade ociosa está mais limitada e novas interrupções podem provocar ajustes de preços muito maiores”, afirmou.
O organismo internacional prevê uma forte contração de 1,3% em 2026 para a região que abrange o Oriente Médio, o Norte da África e o Paquistão, após crescimento de 3,3% em 2025. Em seguida, a expectativa é de uma recuperação expressiva, mas desigual, em 2027, quando o crescimento deverá atingir 6,6%, disse Azour, ressaltando as diferenças significativas entre as economias da região.
A projeção pressupõe a retomada do comércio e do transporte marítimo em condições normais no primeiro trimestre de 2027, com as exportações se normalizando gradualmente até meados do ano e os preços do petróleo permanecendo elevados.
Azour afirmou que a previsão se baseia em uma rápida retomada da produção. Ele observou que o Catar, por exemplo, conseguiu acelerar sua recuperação apesar de ter sofrido danos enormes em sua capacidade de produção de gás natural.
No entanto, o diretor do FMI afirmou que o choque deixará efeitos duradouros em vários setores, com os danos à infraestrutura exigindo gastos adicionais. Segundo ele, os riscos estão concentrados em um cenário de resultados piores do que o previsto.
Os países exportadores de petróleo diretamente afetados pela guerra deverão registrar uma contração significativa em 2026 e uma forte recuperação do crescimento em 2027, à medida que a produção de energia se normalizar. Ainda assim, a produção deverá permanecer abaixo das projeções de médio prazo anteriores à guerra.
As economias dos países da região que importam petróleo demonstraram resiliência e devem continuar apresentando esse comportamento, afirmou Azour.
A região do Cáucaso e da Ásia Central enfrentou o choque relativamente bem, e a inflação deverá continuar recuando a partir dos níveis elevados atuais. O FMI projeta desaceleração do crescimento para 5,2% em 2026 e, posteriormente, para 5% em 2027, ante 6,2% em 2025.
Azour afirmou que os responsáveis pelas políticas econômicas devem priorizar a estabilidade dos preços, concentrar esforços na reconstrução das reservas fiscais e ampliar a capacidade de resistência a futuros choques.

