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Vítima de racismo, goleiro fica sem contrato e cita Vini Jr ao cobrar clube

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Vítima de racismo, goleiro fica sem contrato e cita Vini Jr ao cobrar clube

Mateus Oliveira, goleiro brasileiro que teve o contrato rescindido pelo Alverca após agredir um jogador do Oliveira do Hospital, no fim de uma partida entre as equipes pelo Campeonato de Portugal, afirmou ter sido alvo de insultos racistas antes de atacar o adversário.

Em publicação nas redes sociais, Mateus relatou ter ouvido frases como “Macaco”, “Preto sujo” e “Volte para sua terra”, entre outras ofensas. O brasileiro lamentou a falta de reação das pessoas que presenciaram o episódio. “Muitos viram, muitos ouviram (e todos se calaram)”, escreveu.

Goleiro relata insultos racistas antes de agressão

“A agressão se manifesta de diversas formas e, nesse caso, aconteceu por meio de palavras e ofensas racistas. Não podemos usar uma atitude para justificar a outra, mas, acima de tudo, não podemos relativizar ou minimizar atos racistas que continuam se perpetuando”, declarou.

O goleiro também afirmou que sua reação foi consequência de uma série de situações anteriores. Segundo ele, a atitude agressiva “nasceu dos ‘erros’ dos outros, nasceu de crimes, nasceu porque foi a gota d’água”.

“Depois de tanto, a mente não aguenta, o corpo não aguenta, e o erro acontece”, desabafou o brasileiro ao comentar o episódio.

Mateus cobra solidariedade do Alverca e cita Vinicius Júnior

Mateus pediu desculpas aos companheiros de equipe e ao Alverca pela atitude no fim da partida contra o Oliveira do Hospital. Apesar disso, afirmou que esperava uma postura mais solidária do clube português diante da situação.

“Eu pensava que um clube como o FC Alverca seria minimamente mais solidário à causa”, declarou o goleiro, que também questionou a posição da equipe diante dos relatos de racismo.

“Devo lembrar que o principal acionista do clube se chama Vinicius Júnior? Que sofreu na pele — e por conta da sua pele — tudo o que passei neste fim de semana? A ironia está nos detalhes, e é uma pena que ainda sejamos surpreendidos por isso”, justificou.

Alverca rescinde contrato após agressão em campo

Um dia após as agressões, o Alverca anunciou a rescisão do contrato de Mateus Oliveira. Em comunicado, o clube português afirmou que “não compactua com comportamentos dessa natureza, que contrariam frontalmente os valores do esporte, o respeito pelo adversário e os princípios do fair play”.

Aos 24 anos, Mateus Mendes concluiu sua formação nas categorias de base do Palmeiras. Em Portugal, também defendeu o Portimonense, em 2023, antes de passar a última temporada no Alverca.

Na atual temporada, o goleiro foi integrado à equipe B do clube ribatejano, pela qual disputou duas partidas no Campeonato de Portugal.

Veja a nota de Mateus Oliveira na íntegra

Depois do que aconteceu nesse fim de semana, preciso vir à público para explicar exatamente o que houve.

Por volta do minuto 94 da partida, o atleta da equipe rival proferiu diversos insultos racistas para mim. Frases do tipo: “Macaco”, “Preto sujo” e “Volte pra sua terra”, entre outras coisas. Há testemunhas. Muitos viram, muitos ouviram (e todos se calaram).

Pergunto: qual a solução para isso? Aguentar calado, fazer uma denúncia que jamais teria um resultado prático, ouvir todos dizerem que “é do jogo” e deixar mais um racista seguir livremente seu caminho cometendo crimes contra outros pretos como eu? Ou quem sabe fazer um texto no Instagram, com frases bonitas, atacando os racistas e vendo ele sumir depois de 24h com milhares de “likes”? Ou simplesmente deixar passar, “é só mais um, já estou acostumado”, segue o jogo?

A agressão se manifesta por diversas formas, e nesse caso se deu por palavras e ofensas racistas. Não podemos utilizar uma atititude para justificar a outra mas, o mais importante, não podemos relativizar ou diminuir atos rascistas que se perpetuam.

São mais de 10 anos ouvindo essas mesmas coisas em campos de futebol no Brasil e fora. E ouvindo também que isso é do jogo, que faz parte, que não é por maldade. Minha atitude nasceu de “erros” dos outros. Nasceu de crimes. Nasceu porque foi a gota d’água. Depois de tanto, a mente não aguenta, o corpo não aguenta, o errado acontece.

Peço desculpas aos meus companheiros e equipe, mas imaginei que um clube como o FC Alverca seria minimamente mais solidário à causa. Devo lembrar que o acionista principal do clube se chama Vinícius Junior? Que sofreu na pele (e por conta da sua pele) tudo que passei nesse fim de semana? A ironia está nos detalhes, e uma pena que ainda somos surpreendidos por isso.

E espero que isso que aconteceu acenda um sinal de alerta para todos:

Estamos cansados de racismo.
Estamos cansados de xenofobia.
Estamos cansados de sermos vítimas diárias de um crime sem culpados, sem sentença e sem Justiça.

Estamos cansados de racistas.
Que clubes, ligas e federações ao redor do mundo entendam de uma vez que “o que acontece no campo, não pode ficar dentro do campo”, e entendam.

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