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Socialistas lideram pesquisa na Espanha antes de eleições antecipadas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Socialistas lideram pesquisa na Espanha antes de eleições antecipadas

O PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, lidera as intenções de voto na Espanha, com 34%, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (14) pelo CIS (Centro de Pesquisas Sociológicas), instituto estatal do país. O PP (Partido Popular), de oposição e orientação conservadora, aparece em segundo lugar, com 22,2%.

O levantamento foi publicado às vésperas das eleições antecipadas previstas para o próximo mês, convocadas por Sánchez depois que o Parlamento rejeitou medidas habitacionais propostas pelo governo minoritário.

O resultado contrasta com o de pesquisas de outros institutos, que apontam para uma maioria parlamentar formada pelo PP e pelo Vox, partido de direita.

A pesquisa foi realizada na primeira semana de outubro, com 5.025 entrevistados, durante protestos em todo o país contra a crise habitacional. O levantamento ocorreu antes da morte, em 7 de outubro, da ativista pelo direito à moradia Maricarmen Abascal, que estava internada em um hospital. A expulsão dela do imóvel onde vivia havia desencadeado as manifestações.

O Vox aparece em terceiro lugar, com 17,1% das intenções de voto. Já o Sumar, coalizão de esquerda que integra o governo de Sánchez, registra 6,1% e ainda negocia alianças com outros partidos do campo progressista para as eleições.

Sánchez também lidera a preferência dos entrevistados para o cargo de primeiro-ministro: 39,3% o apontaram como candidato favorito, uma vantagem de 24,6 pontos percentuais sobre Alberto Núñez Feijóo, líder do PP, que recebeu 14,7%. Santiago Abascal, líder do Vox, foi citado por 13,8%.

A crise habitacional se tornou a principal preocupação dos eleitores espanhóis. O problema foi mencionado por 55,7% dos entrevistados, um recorde e um aumento de 20 pontos percentuais em relação ao mês anterior. A imigração aparece em segundo lugar, com 20,9%, seguida pela situação econômica, citada por 20,3%.

Crise habitacional levou a manobra política

Manifestantes se reúnem perto do Parlamento espanhol em Madri, na quarta-feira, 7 de outubro, após a morte de Maria del Carmen Abascal.
Manifestantes se reúnem perto do Parlamento espanhol em Madri, na quarta-feira, 7 de outubro, após a morte de Maria del Carmen Abascal. • Vasco Cotovio/CNN via CNN Newsource

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, convocou uma eleição antecipada para 29 de novembro em uma tentativa de fortalecer seu mandato depois que um Parlamento fragmentado rejeitou na semana passada os principais decretos do governo sobre habitação, em meio a protestos em todo o país.

A eleição antecipada é uma aposta de alto risco para Sánchez, cujo Partido Socialista aparece atrás em quase todas as pesquisas de opinião. Uma derrota eleitoral significaria o fim de um dos últimos governos de esquerda da Europa, em um momento em que a direita conquista espaço sem precedentes em toda a região, à medida que uma parcela crescente dos eleitores europeus se afasta do centro político.

No entanto, Sánchez, um habilidoso articulador político, provou repetidamente ser capaz de surpreender aqueles que há muito tempo consideravam sua carreira política encerrada.

“Precisamos renovar o apoio da população”, disse Sánchez em pronunciamento televisionado. “Precisamos mobilizar e conquistar uma maioria progressista muito maior no Parlamento, que nos permita superar interesses estabelecidos, promover novos avanços sociais e continuar transformando a Espanha.”

O primeiro-ministro reconheceu ter cometido erros e não ter cumprido algumas de suas promessas de campanha. “Também sei que parte dessa maioria social está insatisfeita hoje”, afirmou, mas prometeu lutar para que a Espanha continue sendo “um bastião da abertura, da justiça social e da responsabilidade ambiental”.

Sánchez se destacou internacionalmente por adotar posições firmes em questões progressistas, da defesa do Estado palestino à proteção das instituições multilaterais e ao combate aos “oligarcas da tecnologia”, mesmo enquanto uma série de derrotas e escândalos enfraqueceu sua posição dentro da Espanha.

Recentemente, ele ganhou força com propostas para enfrentar a crescente crise habitacional, que foram bem recebidas, mas acabaram rejeitadas por parlamentares de direita, provocando grandes protestos de ativistas do setor habitacional em todo o país.

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