O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e o partido de esquerda BSW uniram forças nesta quarta-feira (14) para aprovar uma moção simbólica no parlamento estadual da Saxônia-Anhalt, exigindo o fim do apoio militar de Berlim à Ucrânia.
O governo nacional — liderado por Friedrich Merz — é o maior fornecedor europeu de ajuda militar a Kiev e tem reafirmado repetidamente seu apoio, atribuindo a responsabilidade pela guerra à Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022.
A moção foi aprovada no dia de abertura do julgamento, em Hamburgo, de um ex-militar ucraniano acusado de explodir o gasoduto Nord Stream, que fornecia gás russo à Alemanha. O governo de Kiev negou qualquer envolvimento.
Leia Mais:
A movimentação não tem efeito prático, uma vez que os parlamentos estaduais não têm papel na política externa.
No entanto, ela levantou a possibilidade de que os dois partidos cheguem a um acordo, permitindo que o líder estadual da AfD, Ulrich Siegmund, forme um governo.
BSW quer trabalhar com a AfD
No mês passado, a AfD conquistou sua maior vitória eleitoral no estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país, ficando muito perto de obter sua primeira maioria absoluta em nível estadual.
Siegmund afirmou que pretende buscar a confirmação parlamentar formal como chefe do governo estadual até o final do ano, embora a maioria dos outros partidos no parlamento tenha descartado integrar uma coalizão, seguindo a chamada política de “cordão sanitário” (ou “parede de proteção”) que visa isolar a AfD.
O BSW, que surgiu de uma dissidência do partido de esquerda Linke — cujas raízes remontam ao antigo partido comunista da Alemanha Oriental —, não quer formar uma coalizão formal com a AfD. Contudo, o partido declarou que deseja trabalhar com a AfD, com quem compartilha o desejo de restaurar laços com Moscou e conter a imigração.
“O cordão sanitário fracassou”, disse a fundadora do partido, Sahra Wagenknecht, ao portal de notícias t-online. “Moldaremos a política por meio de maiorias variáveis e buscaremos aprovar o maior número possível de posições do BSW.”
Tanto a AfD quanto o BSW têm criticado duramente o apoio da Alemanha a Kiev, argumentando que ele prolonga a guerra e que o dinheiro seria melhor aplicado internamente. “O que aconteceu nos últimos meses e anos nesta guerra é, juntamente com a migração descontrolada, um dos maiores problemas do nosso tempo”, disse Siegmund no debate, que outros partidos classificaram como uma “farsa”.

