O papa Leão XIV foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, um dos tipos mais comuns de câncer de pulmão, após ser submetido a uma cirurgia na terça-feira (13) no Hospital Gemelli, em Roma. O Vaticano informou que o pontífice deve permanecer internado até a próxima semana e que a noite após o procedimento transcorreu de forma tranquila.
Em entrevista ao Live CNN, o oncologista e coordenador do Núcleo de Tumores Torácicos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Carlos Henrique Teixeira, explicou o diagnóstico e avaliou as perspectivas clínicas do caso. Segundo ele, apesar de o câncer de pulmão ser um dos tumores mais graves e letais, há um elemento positivo na situação do papa: o diagnóstico precoce.
Diagnóstico precoce traz esperança de cura
O fato de o papa ter sido submetido a um procedimento cirúrgico indica que o câncer possivelmente foi detectado ainda em suas fases iniciais. “O fato do papa ter conseguido ir para um procedimento cirúrgico demonstra que a gente está adiante de possivelmente um câncer ainda nas suas fases iniciais, o que traz aí uma grande chance de cura”, afirmou Carlos Henrique Teixeira.
O médico também destacou que o adenocarcinoma é um dos subtipos mais frequentes de câncer de pulmão, tanto na Europa quanto no Brasil. Além disso, informações indicam que o papa não seria fumante, o que, segundo o especialista, aumenta as chances de o tumor apresentar certas mutações genéticas favoráveis ao tratamento.
“Num adenocarcinoma num paciente que nunca fumou, aumenta as chances dele ter algumas mutações. Isso é um ponto favorável para pensar em tratamentos futuros”, explicou o especialista.
Cigarro é o principal fator de risco
Carlos Henrique Teixeira ressaltou que o cigarro continua sendo o principal fator de risco para o câncer de pulmão. “Para a gente ter uma ideia, a cada 10 diagnósticos de câncer de pulmão, 7 ou 8 pacientes foram ou são fumantes”, disse.
No entanto, o médico alertou que o número de pacientes não fumantes diagnosticados com a doença tem crescido, e que outros fatores podem estar envolvidos, como poluição ambiental, predisposição genética familiar, exposição a gases tóxicos como o radônio e mutações celulares aleatórias.
Cirurgia foi ao mesmo tempo diagnóstica e curativa
Teixeira explicou que, embora na maioria dos casos seja realizada uma biópsia antes da cirurgia, em situações de alta suspeita clínica o procedimento cirúrgico pode ser realizado diretamente, cumprindo função tanto diagnóstica quanto curativa.
No caso do pontífice, foi realizada uma lobectomia — a retirada de parte do pulmão —, além da remoção de linfonodos da região do mediastino, para avaliar a real extensão do tumor.
“Agora a gente aguarda os relatórios finais de patologia para entender a real extensão deste adenocarcinoma”, disse o médico. Com base nesses resultados, os oncologistas responsáveis pelo tratamento poderão definir se serão necessários tratamentos complementares, como quimioterapia ou terapia-alvo em comprimidos.
Recuperação tende a ser tranquila
Segundo o médico oncologista, a recuperação após cirurgias pulmonares melhorou significativamente com o avanço das técnicas minimamente invasivas. O papa teria sido submetido a uma videotoracoscopia, procedimento menos agressivo que reduz complicações e acelera a recuperação.
“Em geral, o paciente vai para casa com 3, 4 dias de hospital”, afirmou. O médico acrescentou que, caso o pontífice tenha tido sua função pulmonar avaliada antes da cirurgia e apresente condição adequada, a recuperação respiratória tende a ser tranquila.

