O papa Leão XIV foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, um tipo comum de câncer de pulmão, e foi submetido a uma cirurgia nesta terça-feira (13) que durou aproximadamente 90 minutos. Ao CNN Prime Time, o oncologista do Hospital Santa Catarina Antônio Cavaleiro comentou o tema.
O procedimento foi considerado um sucesso pelo Vaticano, e o pontífice retornou ao quarto do hospital após a operação.
Durante a cirurgia, realizada por videotoracoscopia, foi removido o lobo inferior do pulmão direito. O nódulo havia sido descoberto em um exame de rotina e, segundo o próprio Leão XIV, foi detectado em estágio inicial.
Na segunda-feira (12), véspera do procedimento, o pontífice manteve sua agenda normalmente enquanto aguardava a intervenção cirúrgica.
Diagnóstico e características da doença
Antônio explicou que o adenocarcinoma pulmonar é o subtipo mais comum de câncer de pulmão. “O câncer de pulmão é o terceiro em incidência e o adenocarcinoma é o subtipo mais comum”, afirmou.
Cavaleiro destacou ainda que cerca de 20% dos pacientes diagnosticados com esse tipo de tumor não têm histórico de tabagismo, embora o cigarro seja o principal fator de risco.
O especialista acrescentou que o adenocarcinoma costuma se desenvolver em regiões mais periféricas do pulmão, podendo crescer sem causar sintomas nas fases mais precoces.
Sobre a possibilidade de influência do histórico familiar no diagnóstico — jornais internacionais noticiaram que a mãe do papa morreu de câncer e que um irmão também enfrentou a doença —, Cavaleiro foi cauteloso.
“Um histórico familiar aumenta modestamente o risco de câncer de pulmão, mas essa não é uma neoplasia que muito comumente está associada a um histórico familiar”, disse.
Ele explicou que as alterações genéticas presentes no adenocarcinoma normalmente não são herdadas, ocorrendo de forma esporádica durante o desenvolvimento do tumor.
Próximos passos e possibilidade de tratamento complementar
Cavaleiro explicou que, quando o nódulo é descrito como “contido”, isso significa que os exames realizados antes da cirurgia confirmaram que a doença estava restrita ao pulmão, sem sinais de espalhamento.
“O tratamento cirúrgico tem uma alta probabilidade de cura”, afirmou.
O especialista presumiu que uma tomografia indicou um nódulo altamente suspeito, dispensando a necessidade de biópsia prévia, e que o paciente foi diretamente encaminhado para a videotoracoscopia — procedimento minimamente invasivo com recuperação hospitalar estimada entre cinco e sete dias.
Após a análise do material retirado na cirurgia, será possível confirmar definitivamente o diagnóstico e verificar a ausência de espalhamento para gânglios linfáticos ou outros órgãos.
“Na maioria dos casos, não é necessário tratamento complementar”, disse Cavaleiro, ressaltando que ainda é cedo para descartar quimioterapia, imunoterapia ou medicamentos orais, pois uma análise genética do material levará alguns dias.
Quanto às sequelas, o oncologista foi otimista: “Em um pulmão sadio, é possível reabilitar-se e viver uma vida quase normal e praticar o tênis, mesmo na ausência do lobo inferior direito”, afirmou, indicando que o processo de reabilitação pode levar várias semanas, mas em geral não gera incapacidade permanente.

