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Ataques russos deixam mais de 600 mil pessoas sem energia na Ucrânia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Ataques russos deixam mais de 600 mil pessoas sem energia na Ucrânia

Um ataque russo de grandes proporções contra a infraestrutura energética da Ucrânia deixou mais de 600 mil pessoas sem eletricidade na manhã desta quarta-feira (14), segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. A ofensiva ocorreu horas depois de o líder afirmar que o país não recebeu alertas antecipados de aliados antes de uma série anterior de ataques mortais.

Segundo Zelensky, a Rússia lançou mais de 120 drones e 39 mísseis balísticos contra Kiev e Kharkiv, com instalações de energia entre os principais alvos. Os bombardeios provocaram apagões generalizados e danos significativos a instalações de petróleo e gás.

“Essa é justamente a infraestrutura abrangida pelo cessar-fogo anunciado pelo presidente americano”, escreveu Zelensky, em referência à trégua no setor energético anunciada por Donald Trump no último fim de semana. Jornalistas da CNN na capital ucraniana relataram ter ouvido várias explosões.

O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, afirmou que suas forças derrubaram 902 drones durante a noite, segundo a agência russa Interfax.

Horas antes, Zelensky havia declarado que o governo ucraniano não recebeu “nenhum alerta antecipado de nossos parceiros” antes de um ataque com mísseis balísticos, na terça-feira (13), que atingiu uma importante usina de energia em Kiev e danificou um edifício residencial.

Segundo o presidente, as defesas aéreas ucranianas detectaram os mísseis apenas quando eles já estavam praticamente chegando à capital.

“Isso é absolutamente injusto: enquanto eles (os russos) destroem nossa infraestrutura energética, a Ucrânia sequer recebe alertas antecipados sobre lançamentos de mísseis balísticos”, afirmou.

As informações de inteligência fornecidas pelos Estados Unidos e por outros aliados ajudam a Ucrânia a se defender de ataques com mísseis balísticos. Os dados incluem a localização de lançadores e informações sobre a trajetória dos projéteis e o momento em que os ataques devem ocorrer.

Pressão dos EUA sobre Kiev

Os ataques acontecem após o governo Trump alertar a Ucrânia e aliados europeus, no último fim de semana, de que poderia suspender o compartilhamento de informações de inteligência e as compras europeias de armamentos americanos destinados a Kiev caso os ucranianos não interrompessem os ataques de longo alcance contra instalações energéticas russas.

Na terça-feira, porém, Trump afirmou que os Estados Unidos não haviam interrompido o compartilhamento de informações com a Ucrânia.

“Estamos ajudando e compartilhando informações de inteligência. Queremos que a guerra termine, por isso estamos trabalhando com eles e com a Rússia para pôr fim ao conflito”, disse o presidente americano.

O compartilhamento de informações, no entanto, não garante a proteção contra os ataques. Mísseis balísticos russos podem alcançar Kiev em poucos minutos, deixando pouco tempo para uma resposta. Em alguns ataques recentes, as sirenes de alerta aéreo soaram ao mesmo tempo que as primeiras explosões.

Há meses, Zelensky pede que os aliados reforcem as defesas aéreas ucranianas, especialmente com o fornecimento de interceptadores de mísseis balísticos, uma das poucas armas capazes de derrubar projéteis que viajam mais rápido que a velocidade do som.

Cessar-fogo energético sob incerteza

Trump anunciou o chamado cessar-fogo energético no domingo (11), em uma iniciativa que aparentemente surpreendeu os dois países em guerra. Depois do anúncio, Zelensky afirmou apoiar a trégua, embora não tivesse sido informado previamente sobre ela. O Kremlin não se pronunciou diretamente sobre o acordo.

Na segunda-feira (12), o presidente ucraniano afirmou que a Rússia já havia violado o suposto cessar-fogo com novos ataques. Ainda assim, disse que Kiev estava disposta a respeitar o entendimento caso Moscou também o fizesse.

Questionado por jornalistas na terça-feira sobre uma possível violação da trégua pela Rússia, Trump respondeu: “Vou informar vocês sobre isso mais tarde”, segundo a Reuters.

Nos últimos meses, Rússia e Ucrânia intensificaram os ataques contra as infraestruturas energéticas uma da outra, enquanto as linhas de frente da guerra permanecem praticamente inalteradas.

*Por Jessie Yeung, Victoria Butenko, e Svitlana Vlasova, da CNN

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