A oposição no Senado Federal enfrenta dificuldades para construir uma narrativa unificada sobre a PEC que extingue a jornada de trabalho de seis dias por um de descanso e reduz a carga horária semanal para 40 horas, garantindo dois dias de folga sem redução salarial. A apuração é da âncora da CNN Tainá Falcão ao Bastidores CNN.
A votação da PEC é considerada estratégica e integra um conjunto de anúncios voltados à renda, ao emprego e ao custo de vida, que inclui também o reajuste do Bolsa Família, o perdão e a renegociação de dívidas e a criação de novas linhas de crédito. Para aprovação da PEC, são necessários pelo menos 49 votos em dois turnos.
Articulação no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), intensificou sua atuação na articulação pela aprovação da proposta, fazendo pedidos diretos a senadores para que votem favoravelmente ao fim da escala 6×1. A movimentação consolida uma reaproximação em curso entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após um período de desgaste entre os dois.
Mudança de posição de Flávio Bolsonaro
Até a semana anterior à votação, a estratégia da oposição era atrasar a votação ou alterar a proposta para que o texto retornasse à Câmara dos Deputados. O cálculo mudou completamente após a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliar que um voto contrário poderia ser explorado como uma posição contra os trabalhadores.
Flávio, que havia defendido uma proposta alternativa no passado e chegado a sinalizar pela abstenção, anunciou que votaria pelo fim da escala 6×1.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1, então eu vou votar a favor do fim da 6×1”, declarou Flávio Bolsonaro.
A declaração veio acompanhada da ressalva de que, segundo Flávio, quem pagará a conta será o governo, uma vez que os empresários estariam “sufocados” e “quebrados”. A contradição entre votar a favor da medida e ao mesmo tempo criticá-la é justamente o ponto que a campanha adversária pretende explorar.
PL libera bancada no Senado
O PL manteve os votos de sua bancada no Senado em suspenso, com a sinalização nos bastidores de que haveria liberação para que cada senador votasse de acordo com sua base eleitoral.
A saída permite que o partido evite assumir uma posição institucional contrária à proposta, ao mesmo tempo em que Flávio Bolsonaro se posiciona individualmente como favorável.
Segundo apuração, Flávio Bolsonaro participou de um jantar com empresários em São Paulo e sinalizou que, se eleito, poderia patrocinar correções na PEC, com a ideia de ampliar as possibilidades de negociação entre empregadores e trabalhadores.
A estratégia da oposição passa, portanto, por dois caminhos simultâneos: votar a favor da medida e, ao mesmo tempo, acenar ao empresariado com promessas de revisão futura.
A campanha adversária já utiliza a mudança de posição de Flávio como argumento de que o candidato “voltou atrás”, enquanto o setor empresarial cobra coerência sobre os impactos da redução da carga horária na manutenção de empregos.
A votação é acompanhada de perto pelas duas campanhas, que avaliam se a aprovação da PEC será convertida em capital eleitoral e se o apoio de última hora de Flávio Bolsonaro é suficiente para neutralizar os desgastes provocados por seu posicionamento anterior contrário à medida.

