O jornalista Pedro Doria, diretor de jornalismo do Canal Meio, afirmou nesta terça-feira (13), em entrevista ao Bastidores CNN, que o funcionalismo público federal tem um histórico de apoio a partidos de esquerda no Brasil.
Segundo ele, essa preferência eleitoral remonta à era de Getúlio Vargas e se manteve ao longo das décadas, embora tenha passado por diferentes legendas.
“O funcionalismo público federal é base dos partidos de esquerda desde Getúlio Vargas. Nunca foi diferente. Esse voto sempre é do principal partido de esquerda”, afirmou.
Para explicar essa relação, Doria citou as eleições presidenciais de 1950, 1955 e 1960, quando, segundo sua análise, o eleitorado ligado ao serviço público apoiava o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).
Em 1989, na primeira eleição presidencial após a redemocratização, esse apoio teria se dividido entre o PDT (Partido Democrático Trabalhista) e o PT (Partido dos Trabalhadores).
“Ele se dividiu em 1989 entre PDT e PT e, desde a eleição de 1994, ele vota no PT. Então, o voto do funcionalismo público federal é um voto de esquerda e sempre foi um voto de esquerda”, disse.
O jornalista também relacionou essa preferência à posição dos partidos sobre o papel do Estado na economia e na administração pública.
“Todo eleitor vota de acordo com seus interesses. Não existe eleitor alienado. Todo mundo sabe onde seu calo dói e todo mundo sabe que candidato está fazendo o discurso para você”, afirmou.
Na avaliação de Doria, a defesa de uma estrutura estatal mais ampla ajuda a explicar a proximidade histórica entre servidores federais e partidos de esquerda.
“É claro que a esquerda, tendendo a preferir um Estado mais forte, centralizador, isso é do interesse do funcionário público federal. É o emprego dele que está na reta”, completou.
Doria também avaliou as chances de Lula reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Para o jornalista, a diferença de 1,9 ponto percentual registrada no primeiro turno torna a virada possível, embora difícil. “Nunca quem venceu o primeiro turno perdeu o segundo turno desde 1989. Porém, nunca a diferença foi tão pequena”, afirmou. “Essa é uma eleição que está empatada”, acrescentou.
As declarações ocorreram durante uma discussão sobre o comportamento do eleitorado brasileiro no segundo turno da disputa presidencial entre e Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Doria também analisou as diferenças entre o voto das classes de maior renda e o das camadas populares, além das tentativas do governo de conquistar o apoio de pequenos empreendedores.

