O Kremlin afirmou, nesta terça-feira (13), que não via qualquer ligação direta entre um acordo para a exportação de diesel russo para os Estados Unidos e a posição de Moscou em relação às negociações de paz na Ucrânia.
A declaração foi feita em resposta a uma reportagem da agência de notícias Reuters, baseada em fontes, segundo a qual enviados do presidente dos EUA, Donald Trump, teriam dito a autoridades ucranianas, na sexta-feira (9), que o acordo para permitir a exportação de diesel russo fazia parte de uma tentativa de trazer a Rússia de volta às negociações sobre um possível acordo de paz na Ucrânia.
“Não vejo nenhuma conexão direta aqui”, disse o porta-voz do Kremlin, Peskov, em uma teleconferência diária com jornalistas.
“Trata-se, na verdade, de uma área de cooperação russo-americana altamente benéfica para ambas as partes. Isso atende aos interesses dos Estados Unidos, dos mercados globais de energia e da Federação Russa. É por isso que está acontecendo.”
As negociações substantivas para encerrar a guerra estagnaram, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse na quinta-feira (8) acreditar que o conflito havia chegado a um impasse perigoso, embora tenha prometido que Washington continuaria trabalhando para tentar encontrar uma maneira de acabar com os combates.
Peskov também rejeitou as críticas europeias ao acordo sobre o diesel, classificando-as como “cínicas”, dado que a Europa continuava a comprar parte do petróleo e do gás natural liquefeito russos.
Moscou ainda fornece uma pequena parcela de petróleo à Eslováquia e à Hungria, passando pela Ucrânia, por meio do oleoduto Druzhba, construído na era soviética.
“A Rússia está fornecendo suas commodities competitivas aos mercados globais, e continuaremos a fazê-lo”, disse Peskov.
Rússia não ataca alvos energéticos da Ucrânia após “trégua” de Trump
A Rússia não atingiu nenhum alvo do setor energético ucraniano nesta terça-feira (13) — pela primeira vez desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no fim de semana um “cessar-fogo energético” —, embora tenha bombardeado a infraestrutura de transporte e logística de várias cidades durante a noite com mísseis balísticos e drones.
O Ministério da Defesa da Rússia, em seu resumo diário dos ataques noturnos, não mencionou instalações de energia ucranianas.
Um porta-voz do Kremlin, ao ser questionado sobre o cessar-fogo energético, limitou-se a dizer que havia contatos em andamento, mas recusou-se a fornecer mais detalhes.
No entanto, um míssil caiu a pouco mais de um quilômetro de uma usina que fornece aquecimento para grande parte da cidade de Lviv, no oeste do país.
O anúncio de cessar-fogo feito por Trump no domingo (11) ocorreu dois dias depois de ele ter divulgado um acordo que suspendia as sanções dos EUA às exportações russas de diesel, permitindo que a Rússia fornecesse quase 2 milhões de toneladas métricas do combustível — uma tentativa de reduzir os preços nos Estados Unidos.
A agência de notícias Reuters e outros veículos de imprensa noticiaram que autoridades americanas ameaçaram interromper o compartilhamento de inteligência e a venda de armas para a Ucrânia, caso o país não suspendesse os ataques a refinarias de petróleo russas.
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou nesta terça-feira que a Ucrânia não atacava refinarias russas há dois dias — desde que Trump anunciou o cessar-fogo —, mas que a Rússia continuara atacando a infraestrutura energética e crítica durante esse período.
Na segunda-feira (12), a Rússia atingiu seis instalações de energia ucranianas.
Não ficou claro se Moscou evitou deliberadamente atacar a infraestrutura energética durante a noite de segunda para terça-feira.
Trump quer diesel mais barato para as eleições de meio de mandato de 3 de novembro
Trump tem culpado repetidamente os ataques ucranianos — que levaram Moscou a suspender as exportações de diesel — pela forte alta nos preços do diesel nos EUA este ano, uma dor de cabeça para o Partido Republicano antes das eleições legislativas de meio de mandato, que ocorrerão em três semanas.
A maioria dos analistas, no entanto, afirma que a guerra de Trump no Irã teve um impacto muito maior na elevação dos preços.
Quatro pessoas morreram em ataques russos na segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv, e pelo menos uma dúzia ficou ferida em todo o país, segundo autoridades ucranianas.
A Força Aérea da Ucrânia informou que não recebeu alertas prévios de vigilância antes de a Rússia disparar seis mísseis balísticos contra Kiev na noite de segunda-feira (12), o que gerou grande apreensão entre os moradores nas redes sociais.
“As causas estão sendo investigadas”, afirmou a força em um comunicado.
Informações de inteligência sobre preparativos para ataques com mísseis balísticos fazem parte dos dados que os EUA fornecem à Ucrânia, dizem autoridades ucranianas.
O gabinete de Zelensky não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, disse nesta terça-feira (13) que Kiev continua recebendo dados de inteligência dos Estados Unidos.
Ao discursar em uma conferência de segurança em Varsóvia, Sybiha afirmou que o pedido dos EUA para interromper os ataques a refinarias russas demonstrava como a posição da Ucrânia havia se fortalecido, fazendo alusão a um comentário feito por Trump a Zelensky durante uma reunião tensa no Salão Oval, no ano passado, de que ele “não tinha as cartas na mão”.
“Em menos de dois anos, passamos de ‘não ter cartas’ para ‘não jogar as cartas’. Isso é uma conquista”, disse Sybiha.
Zelensky afirmou que a Ucrânia apoia a ideia de uma trégua energética, mas acusou Moscou de violar o cessar-fogo — algo que o Estado não reconhece ter firmado.
“Neste inverno, se a Rússia não concordar com um cessar-fogo energético, nós responderemos”, disse Zelensky em uma conferência de segurança em Varsóvia, na segunda-feira.
A Força Aérea da Ucrânia informou nesta terça-feira que danos foram registrados em 17 locais durante a noite.
Unidades de defesa aérea abateram 88 dos 108 drones russos, segundo a corporação.
Em Kharkiv, quatro pessoas morreram e pelo menos 11 ficaram feridas em um prédio residencial. Na região de Khmelnytskyi, no oeste do país, um hospital foi danificado, informaram autoridades regionais.

