O papa Leão XIV, de 71 anos, revelou no último domingo (11) que passará por uma cirurgia para a retirada de um nódulo pulmonar. A condição é frequentemente associada ao tabagismo, mas também pode ocorrer devido à uma inflamação no pulmão.
Em entrevista à CNN Brasil, o pneumologista Dr. Felipe Marques, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explicou que condições hereditárias e exposição à produtos tóxicos também podem estar relacionados e podem evoluir para diagnósticos mais graves, como o câncer de pulmão.
“Um fator que vem sendo muito investigado ao longo do tempo é a questão da poluição atmosférica. E certamente, isso é um dos fatores de risco modernos”, ressalta o especialista.
Outras infecções pulmonares, como tuberculose, pneumonia e doenças respiratórias, podem deixar marcas que se manifestam como nódulos. Elas são conhecidas como granulomas e, na maioria dos casos, são benignas.
O diagnóstico do papa está em fase inicial. Ainda não foi divulgado se trata-se de um nódulo benigno ou maligno. A cirurgia está prevista para acontecer ao longo desta semana no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma.
O que é um nódulo pulmonar?
Segundo o pneumologista, os nódulos são pequenas formações arredondadas que costumam medir até 3 cm e que podem estar presentes em um ou em ambos os pulmões. Muitas vezes os caroços são causados por infecções ou cicatrizes no tecido pulmonar. Já os sintomas, normalmente, costumam ser invisíveis.
“Muitas vezes o paciente não sente absolutamente nada, e esse é o problema. Por não sentir nada, o paciente demora a procurar o médico, a fazer os exames complementares, principalmente a tomografia, que é o exame de escolha para a identificação do nódulo”, explica o médico.
Dr. Felipe Marques, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Por não apresentar sinais, o diagnóstico tardio acaba influenciando ou desenvolvendo um câncer de pulmão.
Sintomas mais graves
Segundo o especialista, os sintomas só costumam a aparecer quando a lesão atinge outros compartimentos fora do pulmão, ou quando toca estruturas vasculares, resultando em sangramentos.
“Pacientes que têm nódulo pulmonar assintomáticos apresentam pior prognóstico. Esse é o grande desafio, por isso mesmo que a gente deve rastrear as populações de risco pra câncer de pulmão, que são os pacientes que fumam ou já fumaram, que têm entre 50 e 80 anos e que possuam a carga tabágica de 20 anos-maço”, disse.
Tosse seca, cansaço ou falta de ar podem estar relacionados, mas também podem se tratar de sintomas oriundos outras doenças. Por este motivo, o acompanhamento médico costuma ser necessário para rastrear o nódulo em sua fase inicial, mesmo quando ainda não há nenhum sinal.
Tratamento
Ainda segundo o pneumologista, para a retirada do nódulo pode ser realizado uma ressecção cirúrgica, feito para reduzir parte do tecido.
Em pacientes que não conseguem ser submetidos a esse tipo de procedimento, eles podem ser tratados com radiocirurgia ou com outras modalidades a laser.
“Nas formas nodulares, aonde a doença ainda está em uma etapa inicial, a ressecção cirúrgica é a primeira opção e a alternativa a isso, a radiocirurgia ou métodos ablativos. Quando a doença, ela é mais avançada e o tratamento cirúrgico e ablativo são insuficientes, a alternativa é o tratamento sistêmico com quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo”, explica Marques.
Como será a recuperação do papa?
Segundo a Santa Sé, a internação de Leão XIV, após a cirurgia, deve durar aproximadamente uma semana. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a técnica cirúrgica que será utilizada ou sobre o tempo total de recuperação.
A viagem pastoral do pontífice ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, prevista para o período de 6 a 17 de novembro, permanece na agenda oficial.
O anúncio representa a primeira informação pública sobre um problema de saúde do papa desde sua eleição, em maio de 2025.
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