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Kasino relembra hit “Can’t Get Over” 20 anos após meme e detalha volta

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Kasino relembra hit “Can’t Get Over” 20 anos após meme e detalha volta

Sabe aquelas músicas que conseguem te transportar imediatamente para uma época específica? Muitas trazem essa sensação, mas “Can’t Get Over”, do Kasino, com certeza é uma delas.

Talvez você não se lembre pelo nome. Mas, duas décadas atrás, a canção dominava as rádios, estava na trilha da novela das oito e era um dos sucessos da icônica coletânea “Summer Eletrohits”.

Porém, se você é da geração Z, talvez conheça pelo meme “Aê, Kasinão!”, que completa 20 anos neste mês. Nele, a internet “resgatou” um trecho da apresentação do grupo no extinto “Sabadaço”, programa da Band TV comandado por Gilberto Barros.

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Agora, o Kasino está de volta. Em 6 de novembro, a dupla lança “Heartbeats”, primeira parceria internacional do projeto, gravada com o americano Chris Willis, parceiro de David Guetta em hits como “Love Is Gone”.

Em entrevista à CNN Brasil, os fundadores do Kasino, Fabio Almeida e Ian Duarte, contaram bastidores da criação da música, falaram sobre volta da dupla e relembraram a participação no programa que deu origem ao meme.

• Divulgação/Kasino

Uma música em 45 minutos, entregue de motoboy

Criado em 2003, o Kasino já tinha emplacado faixas discretas em trilhas da TV Globo, como as de “Mulheres Apaixonadas” e “Celebridade“. No entanto, segundo a dupla, tudo mudou em 2005, quando veio o convite da gravadora Som Livre para uma música na novela “América”.

“Eu falei com o Ian: a gente tem tantos minutos para resolver isso aqui. É pegar ou largar, e eu peguei”, relembra Fábio. De acordo com ele, a gravadora então enviou um briefing de como deveria ser a canção e a dupla deixou de lado uma outra música que já estava praticamente pronta para dar início à produção.

Composição, arranjo, mixagem e masterização levaram cerca de 45 minutos, segundo os músicos. O resultado foi gravado em um CD e enviado de motoboy para a emissora. Sem nenhum retorno da gravadora, a faixa seguiu direto para o Projac, porque a cena com a canção precisava ir ao ar naquela mesma noite.

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Na época, a trama de Glória Perez — que depois virou um dos maiores sucessos da TV Globo na década de 2000 — enfrentava problemas de audiência no início e passava por uma reformulação. “Eu gosto de pensar que a gente colaborou também positivamente para essa virada”, diz Fabio.

Ele relembra que, na semana seguinte, já ouviu a música tocar em uma rádio da Serra Gaúcha e foi aí que teve dimensão do sucesso.

“‘Can’t Get Over’, quando saiu, era um produto da casa, da própria Som Livre. E era um orgulho dentro da Som Livre porque era uma música que deu muito certo. Depois que ela entrou na novela e foi exibida pela primeira vez, me lembro que estava viajando na semana seguinte na Serra Gaúcha. Liguei a rádio e ouvi [a música]. Os programas de DJ na Serra Gaúcha já estavam tocando. Eu falei: ‘Cara, como isso é possível?’. Isso numa época, se parar para pensar, que não tinha internet, não tinha WhatsApp, não tinha um YouTube tão difundido. Foi no boca a boca. Foi uma viralizada analógica.”

A faixa ainda apareceu no “Summer Eletrohits 2”, uma das coletâneas mais vendidas do país. “Um CD que vinha lotado de hits e a gente estava no meio. Ou seja, para nós era a coisa mais maravilhosa do mundo”, diz Ian.

“Aê, Kasinão!”

A apresentação que virou meme foi ao ar no “Sabadaço” em outubro de 2006. Enquanto o grupo tocava “Can’t Get Over”, o apresentador narrava a performance aos gritos: “Aê, Kasinão!”, “Vai, DJ!”, “O som da noite!”, “As baladas”.

No palco, ninguém percebeu. “Eu estava lá atrás no teclado, e de onde eu estava era tão distante dele que eu nunca nem soube que ele falou alguma coisa”, relembra Fabio. “A gente não tinha retorno, então não sabia o que estava indo ao ar.”

Os músicos atribuem a distração à correria de um programa de auditório, com câmeras se movendo e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. O que Gilberto Barros fazia, segundo eles, era “vinhetar” a música. “A gente não se ateve a esse detalhe”, diz Ian.

O vídeo ficou mais de uma década esquecido e só explodiu nas redes em 2018. “Ninguém imaginava que aquilo ia virar um meme anos depois”, pontua Ian. Segundo eles, o viral apresentou o Kasino a uma geração que nem sabia que o projeto existia e ajudou a pavimentar a volta.

Este mês, a gravação completa 20 anos, e a dupla encara a fama do trecho com humor. “Isso virou atemporal. Olha o perigo de nossas ações atuais”, brinca Fabio.

• Reprodução/TV Band

“Era aquilo ou a gravadora não levava à frente”

Apesar da dupla ter sido criada por Ian e Fabio, quem aparecia nos clipes e nos programas de TV como o Kasino era Fher, nome artístico do carioca Fernando Biscaia, chamado para o projeto quando o primeiro hit do grupo já estava gravado.

Segundo Ian e Fabio, isso ocorreu porque a Som Livre impôs um formato com um vocalista na frente. Os dois explicam que, em 2005, em um período sem Alok e Vintage Culture, uma dupla de produtores de música eletrônica como protagonista, que cantava em inglês, ainda não era algo que o mercado brasileiro entendesse de primeira.

• Reprodução/Kasino

“A gente não tinha o know-how dentro da música eletrônica para dizer: não, nós somos uma dupla eletrônica”, afirma Fabio, que era a voz por trás de “Can’t Get Over” e “Stay Tonight”.

A dupla só revelou publicamente quem cantava em 2023. “A partir desse momento, a agenda começou a bombar”, diz o DJ. Para ele, a nova geração valoriza transparência: “Não existe como você mascarar nada.”

• Divulgação/Kasino

De cinco pessoas na plateia a 200 do lado de fora

O retorno do Kasino começou nos bastidores. Em 2013, Fábio criou a Massiva, selo que hoje lança o grupo.

Em 2020, em plena pandemia da Covid-19, os dois perceberam uma demanda grande pelas músicas antigas, que não estavam nas plataformas digitais. As faixas tinham sido lançadas pela Som Livre, mas eram licenciadas e pertenciam à dupla. Subiram tudo, e “Can’t Get Over” já passa de 60 milhões de execuções somadas, de acordo com os músicos.

O primeiro show da nova fase, em 2022, teve cinco pessoas na plateia. Diante disso, no ano seguinte, a dupla planejou uma “despedida digna” em São Paulo, para 400 pessoas. “[Lotou] e outras 200 ficaram do lado de fora. Aí a gente falou: Não, peraí, então existe algo aí”, conta Fabio.

A surpresa maior foi o público. Os dois esperavam fãs acima dos 30 anos e encontraram muita gente entre 21 e 30. Para Fabio, a pandemia elevou a nostalgia a “um outro patamar”. E o fenômeno também atravessa gerações: “A gente tem uma relação com o pai, que passa para o filho, que passa para o neto. Recebemos uma porção de stories de bebezinhos dançando Kasino”.

Atualmente, o grupo roda o país com a Ultimate Tour. “O mais bacana é que a gente não precisa mais se submeter a ‘vai ser assim ou não vai ter'”, pontua Fabio.

“Heartbeats” e a primeira parceria internacional

Desde a volta, o Kasino vem colaborando com artistas brasileiros. Agora, parte para fora do país: “Heartbeats”, com Chris Willis, que sai em 6 de novembro.

O cantor ficou conhecido como a voz de faixas de David Guetta, como “Love Is Gone”. A dupla antecipou à CNN que a música é mais pop e mais próxima de “Can’t Get Over” do que de um hit de festival.