O banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs espera que o dólar seja cotado na faixa de R$ 4,70 em três meses. A revisão sobre a projeção anterior, que era de R$ 5,20, se dá após a análise de resultados do 1º turno das eleições brasileiras.
Em relatório, a instituição destacou que a valorização de mais de 4% do real sobre a moeda americana é um reflexo da surpresa do mercado sobre o nível de vantagem nos votos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao presidente Lula (PT) na disputa em 1º turno pela presidência.
Neste contexto, os investidores aumentaram as apostas de que a vantagem será mantida, garantindo a consolidação da vitória do candidato do PL no 2º turno da eleição, que acontecerá no próximo dia 25.
Consolidação das expectativas fiscais
Para que essa valorização do real se sustente no médio e longo prazo, o Goldman Sachs explica que é preciso que ocorra uma implementação efetiva das políticas fiscais esperadas pelo mercado financeiro.
A expectativa, portanto, é de um ajuste na cotação nos meses seguintes. O Goldman Sachs espera que a moeda seja negociada a R$ 4,75 em seis meses. Depois, em 12 meses, a expectativa é que a cotação fique a R$ 4,80.
“De forma mais ampla, consideramos a faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80 como plausível em um cenário eleitoral percebido como favorável ao mercado e propício a uma postura fiscal mais restritiva. Em particular, o dólar cotado a R$ 4,80 seria consistente com a compressão total do prêmio fiscal residual da depreciação do real em 2024, bem como com avaliações de longo prazo”, pondera a instituição.
Ainda assim, as projeções consideram que novas políticas econômicas serão anunciadas nos próximos meses, como o grande foco em um eventual novo governo presidencial. Por outro lado, consequentes maiores cortes na taxa de juros deve reduzir a atratividade do real no período.
A instituição também afirma que está ciente do efeito sazonal de dezembro, mês que normalmente apresenta grandes saídas de capital. Segundo o Goldman Sachs, isso pode representar um obstáculo adicional para o real caso estes tão esperados anúncios de política fiscal decepcionem.
“Nesse contexto, embora consideremos lógico que a volatilidade implícita tenha diminuído para o segundo turno, as nomeações para o gabinete e os anúncios de política devem manter a volatilidade elevada além do período eleitoral”, completa.
Impactos da eleição no Congresso
O documento também aponta que este otimismo do mercado reflete a formação do Congresso.
A instituição avalia que candidatos conservadores e de centro-direita tiveram um desempenho significativamente melhor do que o esperado nas eleições para Câmara, Senado e governos estaduais.
“Isso indica condições favoráveis de governança caso Flávio Bolsonaro se torne presidente, principalmente quando comparado ao Congresso mais dividido sob a presidência de Jair Bolsonaro”, destaca o relatório.
Comparação com Eleições de 2018
A grande expectativa do mercado é que um eventual novo governo teria maior compromisso em promover um ajuste fiscal.
Para o Goldman Sachs, esta projeção positiva também aconteceu durante as eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito.
“Acreditamos que a forte reação do mercado cambial seja consistente tanto com a mudança nas expectativas em direção a políticas mais favoráveis ao mercado quanto com ciclos eleitorais anteriores, quando os resultados do primeiro turno forneceram informações relevantes para os participantes do mercado”.
Segundo a instituição, o dólar caiu 10% durante o primeiro turno daquele ano, o que sugere que o real pode se valorizar ainda mais nas próximas semanas.

