Os moradores da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e dos municípios da Baixada Fluminense estão mais expostos a doenças respiratórias, convivendo diariamente com riscos severos à saúde e à segurança.
Isso ocorre devido à presença de polos siderúrgicos, petroquímicos e logísticos nessas regiões, que tem exposto a população local a níveis alarmantes de poluição.
Os dados foram apresentados no Mapa da Desigualdade 2026, estudo lançado neste mês de outubro pela organização Casa Fluminense. O relatório, que está em sua quinta edição, traz 40 indicadores sobre os 22 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, organizados a partir das eixas de justiça econômica, racial, de gênero e climática.
Saúde nas periferias
Em 2025, o estado do Rio de Janeiro registrou 43.724 internações hospitalares no SUS (Sistema Único de Saúde) por pneumonia, bronquite, asma e outras doenças do aparelho respiratório.
Desse número, 60% estavam em bairros da Zona Oeste, como Santa Cruz, e no município de Duque de Caxias.
A Baixada Fluminense reúne os piores índices de atendimento primário do SUS: o município de Queimados lidera com 52% da população sem cobertura, seguido por Duque de Caxias e Nova Iguaçu, ambos com 43%.
A carência de postos e equipes da Estratégia Saúde da Família compromete a prevenção e o tratamento precoce e sobrecarrega as emergências dos hospitais.
A socióloga Iris Rosa, coordenadora de informação da Casa Fluminense, afirma que esse diagnóstico confirma que o endereço influencia a expectativa e qualidade de vida da população.
Desigualdade racial e econômica
A pesquisa também mostrou que mais de 70% das 741 pessoas mortas por agentes de segurança pública no estado, no ano passado, eram negras.
A população negra constitui a maioria absoluta, por exemplo, dos pacientes internados no SUS por doenças de veiculação hídrica, resultantes de consumo de água contaminada ou da exposição a esgoto. A gente está em 2026, ainda, falando de pessoas que estão sendo mortas ou por intervenção de agentes do Estado, que é a maioria absoluta de jovens negros, ou estão morrendo por outras causas: adoecendo porque não têm acesso a esgoto, porque moram em uma região onde o ar está extremamente poluído.
afirma Iris Rosa
Além disso, a diferença salarial entre negros e brancos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro aumentou 62,5% em cinco anos.
O estudo também detalha problemas estruturais e socioambientais que impactam diretamente a rotina dos territórios periféricos:
- Áreas verdes: Vários municípios enfrentam adensamento urbano sem vegetação suficiente. São João de Meriti registra 0 m² de área verde por habitante, Nilópolis tem 0,8 m²/hab e Belford Roxo possui 7,1 m²/hab. O nível recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) É 36 m²/hab.
- Escolas e calor: Em 17 dos 22 municípios metropolitanos, mais de 60% das escolas públicas municipais ficam em locais com temperatura média acima de 32 °C, o que se agrava em cidades como Seropédica, Rio Bonito e Nova Iguaçu.
- Saneamento básico: Mais de 477 mil domicílios na Região Metropolitana não têm acesso à rede geral de esgoto.
Câncer de pulmão e poluição: estudo liga incidência à desigualdade

