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Crise abre espaço para aquisições no setor de máquinas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Crise abre espaço para aquisições no setor de máquinas

O mercado de concessionárias de máquinas agrícolas entrou no radar de fundos de investimento, grupos empresariais e grandes produtores rurais. Em um setor pulverizado, as aquisições permitem ampliar a presença regional, ganhar escala e fortalecer a operação de pós-venda. Ao mesmo tempo, a retração nas vendas de equipamentos e a pressão sobre o caixa dos produtores abrem espaço para negociações envolvendo empresas que precisam de capital para crescer ou atravessar o ciclo de baixa.

O tíquete médio dos negócios varia conforme o tamanha da rede de concessionárias e a quantidade de lojas, mas os negócios mais comuns envolvem valores entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões.

A combinação de dificuldades financeiras e oportunidades de expansão ajuda a explicar o interesse por negócios no segmento. Mas a consolidação não se resume à compra de empresas em crise: também envolve estratégias para ampliar a cobertura geográfica, profissionalizar a gestão e resolver questões de sucessão.

O movimento já tem exemplos concretos. Em 2024, a Primavera Máquinas, do Grupo RZK, adquiriu as concessionárias da Real Máquinas, representante da John Deere em Goiás. Em novembro de 2025, o Grupo Fuganti comprou 100% da Rodomac Tratores, concessionária New Holland em Santa Catarina. Em 2026, a RZK Agro incorporou a Agrinorte, ampliando sua presença para a região Norte.

Queda nas vendas pressiona o setor

A retração do mercado de máquinas novas ajuda a dimensionar o momento das concessionárias e entender por que o negócios estão surgindo. Entre janeiro e agosto de 2026, as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas caíram 13,2% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Em agosto, o faturamento recuou 15,5% na comparação anual.

O desempenho reflete a menor demanda por equipamentos novos, em um cenário de endividamento dos produtores, rentabilidade pressionada e crédito caro. Para as concessionárias, a desaceleração pode dificultar a venda de máquinas e a gestão dos estoques. O impacto, porém, varia conforme a estrutura financeira de cada empresa, as marcas representadas e a participação dos serviços de manutenção e pós-venda na receita.

“Grupos com aperto financeiro estão em busca de quem os compre. Ao mesmo tempo, isso é uma oportunidade para quem tem liquidez”, avalia Gustavo Lorenci, sócio da Zaxo, boutique brasileira de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês).

A assessoria tem mandatos ativos envolvendo empresas do segmento e identifica dois polos de oportunidades: o Centro-Oeste, especialmente Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

“Hoje a gente está vendo movimentos de fundos de investimento buscando concessionárias, buscando pequenas concessionárias, pequenos grupos para fazer aportes para expansão territorial”, afirma o executivo à CNN Brasil.

Aquisições ampliam redes e cobertura regional

Nos exemplos de negócios, a compra da Real Máquinas pela Primavera Máquinas, em 2024, levou a rede a 11 lojas, com presença em mais de 30 municípios de Mato Grosso e Goiás. A operação ampliou a atuação da concessionária da John Deere para novas regiões de Goiás e reforçou sua estratégia de expansão territorial.

Em novembro de 2025, a Agro Divel, braço de concessionárias New Holland do Grupo Fuganti, incorporou a Rodomac Tratores, em Santa Catarina. A aquisição de 100% da empresa dobrou a rede de três para seis lojas, com atendimento a 134 municípios. Na ocasião, o grupo também projetava inaugurar uma sétima unidade em 2026 e estimava faturamento de R$ 200 milhões para aquele ano, considerando a expansão. O valor da transação não foi divulgado.

A RZK voltou a ampliar sua presença em 2026 com a compra da Agrinorte, concessionária John Deere no Pará. Segundo a empresa, a operação elevou a rede a 20 lojas e ampliou a capacidade de atendimento na região Norte. O valor do negócio não foi divulgado.

Outro caso é o da Tracbel. Depois de se tornar acionista da Itaeté Máquinas, concessionária John Deere no noroeste paulista, o grupo avançou sobre a rede Colorado Máquinas, que atuava no norte do estado. A integração das duas operações deu origem à Tracbel Agro, com 16 lojas e cobertura superior a 200 municípios. A estratégia combinou expansão por aquisições com o desenvolvimento de serviços tecnológicos e de pós-venda.

Os negócios mostram diferentes caminhos para ganhar escala. “Em um segmento que exige estoques, equipes técnicas e estrutura de assistência, a expansão por aquisição pode acelerar o crescimento em comparação com a abertura de lojas do zero”, destaca o empresário.

Rede de 11 lojas busca comprador

Neste momento, a  Zaxo busca investidores para uma rede de concessionárias com 11 unidades, em uma operação voltada tanto a grupos estratégicos quanto a investidores financeiros.

Segundo Lorenci, a prospecção começou  há cerca de três meses. A assessoria mapeou aproximadamente 100 potenciais compradores, dos quais 20 demonstraram interesse inicial. Alguns avançaram para etapas de diligência, nas quais os interessados analisam informações financeiras, operacionais e jurídicas da empresa antes de decidir se apresentam uma proposta. O nome da rede e o valor efetivo da operação não foram divulgados.

A estimativa mencionada pelo executivo para aquisições desse porte fica entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. A expectativa é avançar com o mandato até o fim outubro de 2026, mas o prazo não representa garantia de conclusão da venda.

Produtores também entram no negócio

Segundo Lorenci, grandes produtores rurais também estão entrando no segmento de distribuição de máquinas. De acordo com o executivo, a estratégia pode estar associada à possibilidade de obter equipamentos em condições comerciais mais favoráveis e organizar a renovação da frota.

Sucessão e profissionalização também impulsionam negócios

Além da expansão territorial, as fusões e aquisições podem ajudar a resolver questões de sucessão e acelerar a profissionalização de empresas familiares. Negócios que cresceram sob a gestão dos fundadores podem buscar novos sócios, capital para expansão ou estruturas de governança mais robustas.

Para 2027, há uma expectativa de recuperação do mercado tanto para máquinas novas quanto para o segmento de usadas.

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