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Crescimento no Brasil depende do impulso fiscal, avalia ex-diretor do FMI

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Crescimento no Brasil depende do impulso fiscal, avalia ex-diretor do FMI

O FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou para baixo sua projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2026, de 2,4% para 2,2%, em comparação com a estimativa divulgada em julho.

Para 2027, a previsão também foi reduzida em 0,3 ponto percentual. Segundo o fundo, o patamar elevado das taxas de juros é um dos principais fatores que contribuem para a desaceleração da economia brasileira.

Em entrevista ao CNN Money, o ex-diretor do FMI Otaviano Canuto avaliou que a revisão reflete um movimento que já está em curso no país. “A economia brasileira está em uma fase de desaceleração.

Em grande medida, o impulso fiscal que puxou para cima nos anos anteriores começa a se exaurir”, afirmou. Segundo ele, o enfraquecimento desse estímulo tende a resultar em taxas de crescimento mais baixas nos próximos anos.

Dependência fiscal e desafios estruturais

Canuto destacou que o desempenho econômico brasileiro tem dependido excessivamente do impulso fiscal, o que, em sua avaliação, representa um risco estrutural de longo prazo. Para o economista, superar esse cenário exige enfrentar o que chamou de “doença dupla da economia brasileira”: o baixo crescimento da produtividade e o excesso de gastos públicos.

“O setor brasileiro gasta muito e mal”, afirmou, citando os investimentos em infraestrutura, que, segundo ele, permanecem abaixo do necessário.

O economista também ressaltou que a taxa de investimento privado no Brasil continua baixa, em parte devido às perspectivas pouco favoráveis de produtividade e rentabilidade. Nesse contexto, Canuto avalia que o país tem oportunidades de reverter esse quadro por meio da exploração de suas vantagens competitivas em energia limpa, minerais críticos e terras raras.

Para ele, porém, é necessário avançar no processamento desses recursos em território nacional e desenvolver cadeias produtivas de maior valor agregado, seguindo um modelo semelhante ao adotado pela China.

Riscos globais e o papel da inteligência artificial

No cenário internacional, Canuto observou que o relatório do FMI apresenta uma perspectiva relativamente otimista, ao destacar a resiliência da economia mundial diante dos choques de preços.

Apesar disso, o economista chamou a atenção para riscos apontados pelas instituições, entre eles uma possível revisão das expectativas de retorno dos investimentos em IA (inteligência artificial), que poderia provocar o estouro de uma bolha de supervalorização financeira.

Canuto também alertou que o Brasil não está entre os principais beneficiários diretos do avanço da inteligência artificial, uma vez que não concentra a produção dos equipamentos e componentes de hardware utilizados nessa tecnologia. Países asiáticos, como Coreia do Sul e Tailândia, por outro lado, têm se beneficiado desse movimento por sua participação na cadeia produtiva desses insumos.

Além disso, a revisão para baixo da projeção de crescimento da China, principal parceiro comercial do Brasil, representa um risco adicional para a economia brasileira. Uma desaceleração maior da atividade chinesa pode afetar a demanda por produtos brasileiros e, consequentemente, o desempenho das exportações nacionais.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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